Sign in to follow this  
Eder Jofre55

Morre Nélio Naja, introdutor do muay thai no Brasil

Recommended Posts

Morre Nélio Naja, introdutor do muay thai no Brasil

Corpo foi encontrado na tarde desta quinta-feira, em sua casa na cidade de Almirante Tamandaré, região metropolitana de Curitiba. Ele vivia isolado e esquecido

GloboEsporte.com

curitiba_-_serie_mma_vt_nelio_naja_1.png

Morreu na tarde desta quinta-feira, Nélio Naja, 65 anos, que foi o principal introdutor do muay thai no Brasil, estilo que consagrou nomes como Anderson Silva no MMA. Naja vivia isolado e esquecido na cidade de Almirante Tamandaré, na região metropolitana de Curitiba, em uma casa de escombros construída por ele mesmo.

Segundo informações do Corpo de Bombeiros, seu corpo foi encontrado em sua casa e a morte teria ocorrido por causas naturais.

Nascido no Rio de Janeiro, Nélio Borges de Souza, conheceu estilos de lutas durante o tempo em que foi paraquedista da Aeronáutica. Anos depois chegou a Curitiba, passou a ensinar o taekwondo e depois as técnicas do muay thai. Em entrevista para o Globo Esporte em 2016, ele contou que as técnicas foram aprendidas durante uma temporada de dois anos na Tailândia.

O estilo de luta trazido por Nélio Naja foi a base para os lutadores paranaenses e fortaleceu a imagem de Curitiba como um celeiro de lutadores importantes e academias de renome nacional. Anderson Silva aprendeu o muay thai e utilizou como seu principal estilo durante os anos que brilhou no UFC.

Na época da entrevista, ele demonstrou decepção por ter sido esquecido pelos lutadores mais jovens e que alcançaram a fama mundial.

- Foi uma decepção, porque em todas as portas que eu bati, bateram a porta mais alto. É como você dar um presente e ele ser jogado no chão. Foi como me senti. Não tenho mágoa e nem rancor, mas foi como me senti, contou ele.

curitiba_-_c0020_nelio_naja_359_everton.

Nélio Naja vivia como um ermião e em uma casa feita de escombros (Foto: Reprodução/RPC)

Share this post


Link to post
Share on other sites

Um samurai se existe muay thai no Brasil é por causa desse cara , como eu disse os pioneiros tem que ser respeitados, se alguém foi na Tailândia graças a esse cara.

Se MMA essas lendas de Curitiba existem foi graças a esse cara.

Se existem grandes stricker brasileiros até no glory pô esse cara tem tudo nisso.

Ele começou tudo, obrigado samurai, que Deus lhe receba com festa .

 

Share this post


Link to post
Share on other sites

claramente, teve problemas mentais após a idade avançar. antigamente chamavam isso " ranhetismo senil"... coitado. que acha e paz na morte, que nao encontrou na vida.

Share this post


Link to post
Share on other sites

Nao acho que foi senilidade ou coisa de velho, quem conheceu sabe que a coisa foi provavelmente bem alem disso. Olhe o que uma das pessoas que mais tentaram ajuda-lo falou. Rafael coordenador da Academia Thai Naja em Curitiba,

 

Edited by Gurkha

Share this post


Link to post
Share on other sites

Entrei hoje no PVT para postar isto. Agradeço ao colega @Eder Jofre55 pela iniciativa.

 

Vivíamos uma Curitiba amena, tranquila e pacata lá pelos idos de 1978. Lutas tradicionais dominavam o cenário na cidade.

 

A capoeira, com seus mestres Burguês, Sergipe e Pernambuco, sempre presente em rodas na rua XV. Devido à malícia e mandinga nas rodas de academia (onde o pau comia pra valer), sempre eram vistos capoeiristas seguranças de inferninhos. É (ou pelo menos era) uma luta contundente, não perceptível aos olhos de quem vê de fora.

 

O Judô, já muitíssimo bem instalado, era distribuído pela cidade por pelo menos uns quatro ou cinco mestres. Paulo Mikoski (creio eu), Ney Mecking (também), Makoto (com certeza), entre vários outros, já tinham até faixas pretas dando aulas em clubes e outros lugares. Enfim, judô como judô, porém ainda se praticavam chaves de perna, lutas demoradas no chão, entre outras coisas que foram ceifadas pelo Comitê Olímpico Internacional.

 

No Kung Fu, havia no mínimo um mestre, que era o mestre Makao. Mestre Alfredinho (atualmente delegado), acho que ainda não estava graduado ou dando aulas.

 

No Tae Kwon Do tinha o mestre Kang. Acho que o Gilson Osternack já havia começado a dar aulas também. Interessante do Kang era que tinha aulas sábados e domingos. Chegou uma época em que dizia-se que ele conseguia formar faixas pretas em dois anos. 

 

Jiu-Jitsu, à época, era coisa lida em livretos e sequer conseguíamos pronunciar o nome.

 

O Karatê, que à época não havia sofrido a divisão entre esportivo e tradicional (que viria a ocorrer somente quase dez anos depois), era prioritariamente difundido por Aldo Lubes e Júlio Arai, ambos shotokan e Leandro Goju Ryu.

 

Sensei Leandro abrigou em sua academia outras artes marciais, inclusive dois carecas vindos do Rio de Janeiro. Um ensinava Luta-Livre e o outro "Boxe Tailandês".

 

Era uma época em que lutávamos na grama de nossas casas e cada um defendia sua arte marcial como que se religião fosse. Os mercados entregavam sacos plásticos para embalar as mercadorias. Mas eram plásticos lazarentos de densos. Saco plástico mesmo. Um deles, o Mercadorama Supermercados era simbolizado por um palhaço. Pois bem, a gente improvisava luvas de boxe com esses plásticos e, ao final das lutas de jardim, cada um ficava com um monte palhaço tatuado na testa, bochecha, etc.

 

Obviamente que todos os lutadores de jardim buscavam seguir as artes marciais presentes na revista KIAI e que por tal motivo começamos a sacanear um colega nosso que foi ter aulas com os carecas. O tempo passou. Uns dois meses talvez. E aí todos admitimos que já havia passado tempo suficiente para nosso colega ser posto à prova. Obviamente que começou comigo, pois como eu era gorditcho e judoka, bastava correr pra cima, agarrar e aplicar a chave de pescoço manjada dos 30 segundos (Hon-Kesa-Gatame). Pois bem, a primeira coisa que ele fez foi me meter um pezaço no peito quando eu fui com tudo pra cima dele. Aquilo me deixou cabrero demais, pois não era comum esse tipo de chute. Quando eu percebi que a primeira porrada na altura dos rins foi estranhamente forte (a gente socava "mata cobra" e aquilo não era comum). Consegui finalmente agarrá-lo e, a muito custo, derrubá-lo. Lá no chão, achando que era "o meu espaço" ele me aplicou uma chave de braço, um arm-lock. A necessidade de dar os três tapinhas combinada com a dor na articulação me forçava a querer chorar, coisa que não aconteceu, nem aconteceria sob tortura. Coincidência ou não, os outros "avaliadores" não quiseram lutar com ele.

 

Esse Boxe Tailandês ensinado por esse careca, Nélio, cancelava diversos pontos não trabalhados rotineiramente nas lutas. Quem vinha do Tae Kwon Do que queria aplicar golpes giratórios muito mirabolantes, caía por causa da rasteira aplicada. Pior, se soubessem que era vindo do Tae Kwon Do, a distância era encurtada, pois sabiam que não tinham uma escola de braço muito desenvolvida. Karatê a mesma coisa: devido à região da cabeça possuir um conjunto de regras e restrições, muitos se perdiam com a saraivada de porradas vindas de golpes incomuns a eles (upper, cruzado). Um deles é uma das marcas mais incisivas da influência do Tae Kwon Do no Boxe Tailandês que Nélio ensinava: a "sétima" (soco giratório).

 

Eventos culturais da cidade recebiam apresentações de grupos folclóricos, de grupos de dança e... também... de academias de lutas. Capoeira, por ser mais atrativa ao povo, costumava cultivar a atenção. Karatê, já naquela época, puxava da platéia uns urrados e arrotos de moleques que tiravam sarro dos kiais. Mas, de uma hora pra outra, surgiu um grupo, todos com luvas de boxe e kimonos pretos, saltando em distância e quebrando telhas, lutando com socos na cara de arrancar sangue, quebramentos de telha e... um careca quebrando uma pilha incontável de telhas com a cabeça. Era o Muay-Thai da Thai Naja. Nélio "Naja" (ele tinha o queixo deslocado e a boca abria - quando ele queria - como que se fosse uma cobra) quebrava aquela pilha de telhas.

 

Quem era graduado na Thai Naja podia usar um macacão preto, com uma Naja dourada nas costas. Aquilo PARAVA  a rua XV de Novembro aqui em Curitiba.

 

Eu não faço ideia qual o rumo do outro careca, mas o que ensinava "Boxe Tailandês" começou a receber mais alunos e criou uma tal de Tai Naja em Curitiba. E, com muita tranquilidade posso afirmar que houve duas eras no mundo das lutas em Curitiba. Antes de Nélio Naja e depois dele. Simples.

 

Puta que pariu... nunca chorei por causa de homem desse jeito porra

Share this post


Link to post
Share on other sites

Honrar a Nélio "Naja" é ter, pelo menos, um quadro 1x 1 com fotos com o pessoal bem brega mesmo, com kimono mesmo, calça com estrelinha mesmo, macacão com tirinha esportiva mesmo, usando faixa e o caralho a quatro porra. 

 

E foi dessa fibra forjada e construída com esse improviso que o Nélio propôs que se chegou a um Vale-Tudo imbatível, fonte de atletas profissionais para qualquer local. Mestre Noguchi, por exemplo, não parou na graduação que Nélio deu a ele, mas continuou se atualizando até conseguir um kruang de Muay-Thai internacional. Ele tem três graus de preta de três diferentes mestres. E aí eu te pergunto, colega forista: você acha que foi essas titulações que deu ao mestre Noguchi esse sangue de guerreiro? Noguchi foi simplesmente o mais temido lutador da área do Abranches, nos saraus que rolavam por lá.

Quem for chegado dele, pergunte pra ele o que lembra ele essas músicas aqui (eu sei que ele curte porque A PRIMEIRA ACADEMIA DELE, aberta na Marechal Floriano, bem próxima à que ele tem hoje, tocava isso enquanto ele puxava o aquecimento):

 

 

 

Share this post


Link to post
Share on other sites

Duas que eu me lembro do Mestre Nélio.

 

1. Éramos "piás de bosta", jogadores de fliperama. Pois bem, íamos andando na Carlos de Carvalho, depois de tentar ganhar de graça alguma coisa nas lojas Muricy e nas Americanas. Foi quando a gente se deparou com uma academia, toda pintada em camuflado, com pedras em relevo. Obviamente entramos pra ver. De cara tinha um ringue (no chão... sem problemas) e atrás deste, dezenas e dezenas de sacos de pancada. E caixas de som tocando no último volume. A gente ficou paralisado vendo aquilo. Na parede, do lado esquerdo, tinha o Nélio, aplicando um yoptchagui em um campeonato. Vendo a gente de boca aberta, ele deu pra gente um monte de adesivos, passeou com a gente pela academia e deu a maior atenção*.

 

2. Um dos colegas que foi comigo pela primeira vez voltou lá e levou um outro pra mostrar como o Nélio tratava bem. Mas daquela vez, o mestre viu que os dois queriam porrada. Daí, sem a menor cerimônia, pegou dois pares de luvas e conduziu uma porradaria entre os dois, que saíram com os olhos inchados e rindo-se de alegria por terem lutado no ringue da Thai Naja. Nas sessões de discussões teóricas sobre lutas que tínhamos nas infindáveis tardes, os dois que trocaram socos sempre usavam isso como coringa.

 

*Na verdade, tal tipo de atenção era também dispensada por Aldo Lubes, antigamente, na época em que ele ensinava judô e karatê. A cada pessoa que entrava na academia dele, sempre na Galeria Ritz, ele parava a aula e fazia TODOS fazerem uma saudação ao visitante. Enfim, coisa do passado que ninguém irá entender nos dias atuais.

Share this post


Link to post
Share on other sites

Se o Rudimar dava aulas na Chute-Boxe da Visconde do Rio Branco em que, algumas delas, ele pedia pra gente fazer grappling, no chão, isso não é coisa que ele inventou. Foi coisa que o Nélio já havia pensado há pelo menos dez anos (lembrem-se do arm-lock que eu levei no Vale-Tudo láááá em 1978, enquanto que a Chute-Boxe da Visconde foi lá pelos idos de 1989...).

 

No entanto Rudimar prosseguiu buscando aprimorar-se quando matriculou-se na condição de aluno ordinário, faixa branca, na Guardian, quando o Pennão dava aula, ainda quando a Guardian era lá na Mário Tourinho. Ele lutava, enfaixado no cotovelo, machucado ou não, como qualquer outro aluno. O que ninguém sabia era que ele estava adquirindo conhecimento para ser o capitão de uma das maiores equipes de Vale-Tudo que já existiram no planeta Terra.

 

No vídeo a seguir, são lutas bem sujas, com os antigos tiros de meta que os Vale-Tudo permitiam. Mas não se enganem: ISSO TUDO NASCEU DE UMA LEGIÃO DE CARAS QUE FORAM ENCORAJADOS POR NÉLIO NAJA. Mas gente, quem é que vai desenterrar fotinha com macacão coberto de estrelas, como o Pelé usava na praça Tiradentes, com cabelo de dread? Quem é que vai desenterrar A PRIMEIRA CAMISETA DA CHUTE-BOXE onde o próprio Rudimar dá uma voadora no Seco (seu primeiro faixa-preta. SIM ERAM FAIXAS PORRA. Ok, se não for o Rudimar era o outro polaco que ele também formou junto com o Seco)?

 

 

Edited by Jaraqui

Share this post


Link to post
Share on other sites
Em 7/13/2018 at 2:22 PM, Gurkha disse:

Nao acho que foi senilidade ou coisa de velho, quem conheceu sabe que a coisa foi provavelmente bem alem disso. Olhe o que uma das pessoas que mais tentaram ajuda-lo falou.

Depoimento, na minha opinião, extremamente sincero e verdadeiro. Concordo 100% com tudo o que ele falou. Não é hora de exibição de egos por parte de gente desconhecida.

 

GENTE DESCONHECIDA. FOI O QUE EU ESCREVI. Falam, falam, reclamam e reclamam e, curiosamente nunca os vi em cenário algum envolvendo "o verdadeiro Muay-Thai". Essa lenda perambula por fóruns de Internet desde, pelo menos 2005 ("Lucas - O verdadeiro Muay-Thai, é um exemplo deles). Falam, reclamam, se estrebucham e não são vistos no cenário internacional. Francixxxco ou algum diabo assim, é  (ou era) um português que mantinha (ou mantém) um tópico chamado Muay-Thai Internacional. Certa vez, fui bobo o suficiente por comentar sobre a Chute-Boxe. O cara surtou. Achou que era troll, coisa e talz. Desisti de comentar. A ESSA GENTE DESCONHECIDA, QUE DO PÓ VIERAM (NA VERDADE VIERAM NA ABA DO SUCESSO DO PRIDE COM O WAND), PARA O PÓ IRÃO.

 

Pra todos esses apelo pra o diatdo do "São Rorion Gracie": ENFILEIRA 10 DE UM LADO E 10 DO OUTRO E MANDAM TROCAR PORRADA. LADO QUE GANHAR É SUPERIOR.

 

Acho que agora já podem me banir. Talvez eu me lembre de mais alguma coisa. Se não for banido até lá, eu posto. 

 

Mestre Nélio mudou o mundo das lutas e transformou Curitiba na MECA DO VALE-TUDO.

 

Share this post


Link to post
Share on other sites

Mais uma, pra vocês pensarem como ele foi parar numa situação depressiva.

 

Parece-me que o mestre Nélio até que tentou voltar a ensinar Muay-Thai (brasileiro então... à merda com os puritanos... enfilerem os 10 que outros 10 não puros estarão à espera pra ver quem fique em pé no final) e, parece-me que pra sair do azul claro (inventado na década de 90, pois os graus - faixas pra ser mais precisos - originais eram branca, vermelha, azul e preta somente) pra ir pro azul escuro precisava ser avaliado na CBMT. Oras, até onde relataram aqui no fórum, um avaliador (talvez aluno do aluno do aluno do aluno do aluno do Nélio) comentou que o candidato "estava desatualizado" e que "precisava buscar aprimoramento junto a um mestre credenciado".

 

Mano, você criar uma coisa que bate na TV, bate na Internet dia sim dia não (entre 2005 e 2010 o impacto da Chute-Boxe era tão intenso na cabeça da piazada que teve um forista que largou-se de Belém pra Curitiba, de mala e cuia, pra entrar pro time da Chute-Boxe. Não sei o que houve com ele) e ouvir de um avaliador uma desqualificação dessas?

Share this post


Link to post
Share on other sites

O QUE MAIS ME IMPRESSIONA NOS DIFAMADORES DO "MUAY-THAI BRASILEIRO" É QUE NUNCA PROPUSERAM UM 10x10, sejam em regras de Muay-Thai ou Muay-Boran ou Vale-Tudo ou Vale-a-Caralha

 

Nunca.

 

Sempre, mas sempre, a vida toda, o que presenciei foi: GUERREIROS DE TECLADO

Share this post


Link to post
Share on other sites

Create an account or sign in to comment

You need to be a member in order to leave a comment

Create an account

Sign up for a new account in our community. It's easy!

Register a new account

Sign in

Already have an account? Sign in here.

Sign In Now
Sign in to follow this