Luiz Carlos

Rolls Gracie e seu tempo

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Rolls; Relson; Rorion e Rickson

Parte I

Nascimento de um mito

Em 28 de março de 1951 Mestre Carlos Gracie dava prosseguimento a sua numerosa família com o nascimento de Rolls Gracie. Com disposição de não desperdiçar energia com o sexo sem a finalidade de reprodução, polêmica filosofia que seguia, Mestre Carlos Gracie teve sete casamentos (três formais e quatro informais), trazendo-lhe inacreditáveis 21 filhos (1).

O que já tornava o garoto Rolls diferente dos demais irmãos era o fato de ser o único filho advindo de uma relação extraconjugal, já que sua Mãe (Claudia) o concebeu enquanto Mestre Carlos era casado com sua segunda mulher (Carmem).

Apesar de assumido de imediato, o fato de vir de um relacionamento fora do casamento trouxe problemas para Mestre Carlos Gracie, levando seu tio Hélio Gracie a assumir sua custódia.

(1) Os filhos do Mestre Carlos Gracie são: Carlson; Robson (pai do Ryan e Renzo); Geysa; Rose Clair; Sonja; Oneika; Reyson; Reylson; Rosley; Rolange; Carley; Rolls (pai de Igor); Rocian; Carlion; Clair; Carlos Jr.; Carlos; Crolin; Reilla (mãe de Roger); Rilion e Kirla.

obs: editado com a colaboração do Jiujitsu-forever

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Rolls e Carlson

Parte II

O Jiu Jitsu na juventude de Rolls

Os primeiro anos da década de 50 além de serem marcados pela ressaca da derrota na Copa do Mundo, assistiram, também, a ascensão definitiva do jiu-jitsu no cenário nacional.

O marco definitivo ocorreu quando o penta campeão mundial de judô, Mestre Matsuito Kimura, em visita ao Brasil foi desafiado por Hélio Gracie. Achando-o muito fraco, o campeão mundial escalou o vice-campeão, Kato, que acompanhava a comitiva, para enfrentar o Brasileiro. Lutando com uma costela quebrada (em decorrência a um acidente), o combate terminou empatado. Em setembro do mesmo ano (1951) novo desafio, desta vez no estádio do Pacaembu/SP, Mestre Hélio Gracie coloca o Japonês para dormir com um estrangulamento no segundo round.

Ante a vitória convincente do Gracie, Kimura o desafiou, declarando que se o Brasileiro resistisse mais de três minutos poderia ser considerado vencedor. A luta durou treze minutos, o Japonês aplicou uma chave de braço americana e forçou Carlos Gracie a jogar a toalha. A derrota para alguém 9 anos mais novo e trinta quilos mais pesado só aumentou a fama de Hélio Gracie, transformando-o em herói nacional.

O reconhecimento definitivo veio com o convite, não aceito, de Kimura para o Brasileiro ensinar na Academia Imperial do Japão.

Rolls cresce junto com a fama da família e do jiu-jitsu, iniciando seu treinamento desde cedo. Aos 12 anos já ajudava seu Tio na Academia Gracie.

Quando, em 1955, Hélio Gracie foi derrotado por Waldemar Santana em um combate que durou 3 horas 45 minutos, coube a Carlson Gracie, então com 21 anos, se tornar a estrela da família e do jiu-jitsu.

O auge dos anos românticos aconteceu entre 1959 e 1961, quando foi apresentado na extinta TV Continental (cuja concessão passou, anos depois, para Silvio Santos) pelos Mestres Hélio Gracie e Carlos Gracie. Eram 5 ou 6 disputas envolvendo lutadores de diversos estilos.

Transmito ao vivo, na época não havia vídeo tape, o programa teve um fim traumático, quando uma luta entre João Alberto (74 kg – aluno de Hélio Gracie) e Soares Vinagre (86 KG – luta livre) terminou com uma fratura exposta do segundo.

A transmissão ao vivo de um lutador se contorcendo de dor com o braço quebrado levou a mídia a condenar as lutas e o programa Heróis dos Ringues foi cancelado .

Enquanto o jiu-jitsu retrocedia aos combates dentro das academias, outros esportes preenchiam a lacuna, como o judô, que se tornou esporte olímpico em 1964, o boxe, que se populariza ainda mais com o surgimento do lendário Eder Jofre e o Caratê, com os diversos filmes americanos.

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Parte III

O 1º Campeão

Conviver neste período áureo certamente influenciou a formação cultural de Rolls Gracie, levando-o a conhecer diversos locais do Brasil e EUA. Fluente em inglês, numa época em que o ensino da língua não era tão difundido como hoje, teve o intercâmbio com outros lutadores facilitado.

Após receber a faixa preta, aos 16 anos, fez uma longa viagem para e Europa onde conheceu outras culturas e outros estilos de luta. Sua formação cultural refletiria nos tatames, fazendo com que o jiu-jitsu abandonasse o objetivo de provar que a arte suave poderia, em combate real e sem limite de tempo, dominar qualquer modalidade de luta.

Com Rolls Gracie o jiu-jitsu passou a se desenvolver como atividade esportiva, visando competições e a vitória em curtos períodos, substituindo a filosofia anterior.

Concomitante ao surgimento do novo expoente da família, o JJ passou a se organizar, sendo fundada em 1968 da Federação de Jiu-jitsu do Brasil, que regulamentou a graduação das faixas, as regras de arbitragem.

Rolls não só fazia jus ao título de melhor lutador de jiu-jitsu da época, sendo, inclusive, considerado fenomenal pela capacidade de aprendizado, como era reconhecido por suas habilidades no boxe, wrestling, luta olímpica e judô, sendo que nesta modalidade foi campeão universitário.

Em 1973 finalmente foi organizado o 1º Torneio Oficial de Jiu-Jitsu, com a participação de academias do Rio, São Paulo e Belo Horizonte.

Rolls levou o absoluto numa final contra Maurício Robbe, atualmente presidente da Federação de Jiu-Jitsu do Estado da Bahia e competidor, até hoje, dos campeonatos da CBJJ. É ele quem conta os detalhes da final em entrevista dada à Revista Magazine Fighter (n. 12):

“Logo fomos ao chão sem que nenhum dos dois tivesse aplicado queda. (...) Ele parecia uma catraca. Cada vez que eu cedia uma posição, ele só seguia adiante sem retornar. (...) Ele tentava de atacar de um lado para o outro sem me dar folga. Tentava me finalizar nos braços e eu me defendendo. A luta já passava e muito dos três minutos e a platéia estava surpresa com a demora em me finalizar. Rolls resolveu, então, partir para me finalizar no pescoço. Novamente se movimentava muito de um lado para o outro tentando me atropelar, para que eu viesse a cometer uma falha de defesa. A certa altura, quando eu estava de lado e posicionado de frente para ele, encaixou um estrangulamento, mas defendi (...) Rolls retirou a pegada (...) e com muita rapidez retirou o braço e aplicou novo estrangulamento com muita precisão. (...) Eu não tive como retirar o braço (...) ao completar oito minutos de luta fui finalizado pelo grande campeão do absoluto Rolls Gracie”.

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foto - Rolls e Rickson em uma competição de sambo

Parte IV

O Novo Jiu Jitsu

O relato de Maurício Robbe ilustra o estilo de Rolls que empregava nas lutas e aulas, fazendo com que o JJ deixasse de ser defensivo para ser ofensivo.

Não só o ritmo empregado nas lutas foi modificado por influência de Rolls Gracie, mas também a formatação das aulas, onde a preparação física e o alongamento foram introduzidos, dando o atual formato das aulas que são ministradas até hoje.

Seu principal Mestre foi, sem dúvida, Carlson Gracie, Em depoimento à revista Tatame e ao site GracieFighter, afirmou que Rolls o procurou depois de um aluno de um dos professores (Barrada) da Academia Gracie lhe passou o “rodo”:

“Convenci o Rolls que ele tinha muito o que melhorar, e ele começou a treinar comigo toda quinta, sexta e sábado, na academia que abri em Niterói. Ele levou a sério, dormia lá, treinou pra burro e aprendeu tudo, era daqueles caras chatos. “Me ensina isso, me ensina aquilo.” “Pera aí Rolls, deixa eu descansar” Não. Me ensina” E realmente ele virou um fenômeno. O Oswaldo Alves dava aula de judô somente para ele, e ele aprendeu muito bem. Ele contra o (Serginho) Íris, na época, ficou um páreo tremendo, os dois treinavam e saíam faísca”.

Apesar de alçado o jiu-jitsu ao patamar de esporte, Rolls não se desligou totalmente do vale-tudo. Em 1976 Rolls fez uma demonstração de jiu-jitsu para a TV Tupi. Alguns dias depois um professor de Caratê foi ao programa e desafiou Rolls e seus alunos. Aceito o desafio, os alunos de JJ venceram todos os combates contra os adversários. Rolls fez a luta principal contra o professor e o venceu com facilidade.

Editado por Luiz Carlos

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Convidado Jiujitsu-forever

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(1) Os filhos do Mestre Carlos Gracie são: Carlson; Robson (pai do Ryan e Renzo); Geysa; Rose Clair; Sonja; Oneika; Reyson; Reylson; Rosley; Rolange; Carley; Rolls (pai de Igor); Roclan; Carlion; Clair; Carlos Jr.; Carlos; Crolin; Reilla (mãe de Roger); Rilion e Kirla.

É Rocian e não Roclan.

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Parte V

Juventude Dourada

Vivendo nos turbulentos anos 70, Rolls fazia parte da chamada “juventude dourada” do Rio de Janeiro, usando vias alternativas aos duros parâmetros que a ditadura militar preceituava. Junto com Pepê foi um dos maiores ídolos da juventude que utilizava o esporte e a vida saudável como fonte de resistência e proposta de mudança de hábito dos jovens alienados pelos anos perdidos da década.

Não por acaso os dois ídolos autênticos se apaixonaram pelo mesmo esporte, a asa delta. Em 1981 Pepê, que já havia ganhado uma etapa do mundial de surf, se tornou campeão mundial no Japão. Dez anos depois, buscando o bi-campeonato, Pepê morre em um acidente de asa delta.

No ano seguinte à conquista do mundial por Pepê, Rolls, o maior nome do JJ e campeão do primeiro torneio nacional, sofre acidente de asa desta que lhe tira a vida aos 31 anos.

Apesar dos muitos alunos, Rolls graduou apenas seis faixas pretas (Marcio 'Macarrão' Stambowsky; Maurício Mota Gomes – pai de Roger Gracie; Romero “Jacaré” Cavalcanti; Nicin Azulay; Paulo Conde e Talarico).

Dentre outros alunos, estava o jovem Rickson Gracie, que até hoje rivaliza com Rolls o título de melhor de todos os tempos.

A pergunta de quem foi o melhor esbarra na diferença de idade (nove anos) entre os melhores gracies nos tatames e na morte prematura de Rolls.

Fica, contudo, o depoimento de Mestre Carlson Gracie:

“Ele era muito melhor que o Rickson. Eles sempre treinavam e o Rolls sempre ganhava. O tio Hélio ficava puto da vida. O Rickson era bom, claro, mas o Rolls era melhor”.

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Parte VI

Referências:

Revista Gracie Magazine – março 2006 ano XI – Editora Gracie Ltda.

Revista Tatame -

Revista Magazine Fighter “Maurício Robbe – Tetracampeão mundial de Jiu-Jitsu” – n. 12 – Editora Escala

Revista Marie Claire – “Os Gracies – Fam´lia Vale-Tudo” – novembro de 2000

Site Super Luta - http://www.magapi.cjb.net/

Site Wikipedia.org – verbete Rolls Gracie

Site Wikipedia.org – verbete Rickson Gracie

Site graciemag.com - The greatest JJ fighter of all time – em 18/10/05

Site – fernandopinduka.com “história do jiu-jitsu”

Fórum Portal do Vale Tudo – tópico “A Historia do Vale Tudo na TV., Saiba como o Vale Tudo foi do sucesso ao fracasso na tv.” - autor Kampfer

Site Portal do Vale Tudo

Site Planet Tatami

Site Royler.com.br

- Blog Fotolog.terra.com.br “Brazilian Jiu Jitsu” – “Rolls Gracie”

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Bom galera, sempre tive curiosidade de saber mais sobre o Rolls. Diversas vezes li que era o melhor e tal. Como são poucas as informações, corri atrás e escrevi este artigo. Ficou um pouco grande, mas...

Lamentável foi errar já no título. E o pior foi não saber corrigir. Também tentei colocar umas fotografias antes de iniciar cada parte, ficaria mais leve e interessante, mas não sei por que não entraram.

Na seção de vídeos tem uma luta de vale tudo do Rolls:

Video de uma luta de MMA do Rolls - tópico do Popdapuc

É o meu primeiro tópico mais elaborado no PVT. Ainda aprendo.

Valeu

Editado por Luiz Carlos

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Convidado boxel2

cade o magnum pra dizer que o rickson foi o melhor de todos os tempos kkkkkk CHUPA ESSA MANGA

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Convidado kampfer

Parabéns pelo trabalho, muito bom o texto, o Rolls era o cara.

O importante é resgatar a memoria dos grande idolos do passado que contribuiram para o esporte ser reconhecido hoje.

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naquele vídeo que mostra ele de quimono saindo na porrada com um outro lutador de quimono, num lugar que mais parece uma rinha de galos, mostra tudo:

na hora que o cara entra pra acertar um soco nele, ele esquiva, cintura, bota pra baixo, monta, pega as costas e finaliza.

antes dele, os lutadores de jiu jitsu tinham uma outra estratégia de luta.

helio gracie foi quem fez a primeira revolução no jj, adaptando às suas necessidades, depois rolls veio e acelerou tudo, botou giro no jogo.

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cade o magnum pra dizer que o rickson foi o melhor de todos os tempos kkkkkk CHUPA ESSA MANGA

O Rolls era muito tecnico mesmo, isto nem tem o que discutir, tinha uma mente aberta , só que um acidente tragico infelizmente tirou um icone do Jiu jitsu.

Os tempos passaram e rapidamente surgiu o melhor lutador de todos os tempos que o mundo ja viu, um verdadeiro samurai .

Seu nome RICKSON GRACIE

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Cara, fantástico seu levantamento, você está de parabéns.

O erro no título é besteira, espero que algum moderador ajeite, não empobreceu sua pesquisa não. Muito bom o artigo.

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MAGNUM1

O próprio Rickson admite que o Rolls era melhor que ele, Rickson sem dúvidas é fodão, porém não vamos manchar um tópico tão bonito de homenagem ao Mestre Rolls, com debates ridículos sobre quem é melhor.

Abraços

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