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Estreia de MMA nos Jogos Asiáticos reacende sonho olímpico

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Estreia de MMA nos Jogos Asiáticos reacende sonho olímpico

Federação tenta emplacar modalidade esportiva nos Jogos Olímpicos. Mas obstáculos políticos e comerciais ainda dificultam o projeto.

 
MMA foi adaptado para estreia nos Jogos Asiáticos
MMA foi adaptado para estreia nos Jogos Asiáticos© Dita Alangkara/AP Photo/picture alliance

A versão das Artes Marciais Mistas (MMA) que estreou nos Jogos Asiáticos é diferente das lutas intensas e espetaculares do Ultimate Fighting Championship (UFC), organização que passou a definir a modalidade para grande parte do público nos últimos anos.

Para incluir a MMA nos Jogos Asiáticos, que atualmente acontecem no Japão, foi necessário adaptar as regras: as disputas acontecem sem a tradicional jaula, em um tablado aberto e com pequenas luvas semelhantes às do boxe. A presença da modalidade nos jogos em Nagoya já é um marco importante, mas também representa uma tentativa clara de aproximar o esporte dos Jogos Olímpicos.

"Achamos que, sem a jaula, estamos mais alinhados aos Jogos Olímpicos e, assim, mais próximos de sermos reconhecidos pelo Comitê Olímpico Internacional", disse à agência de notícias AP Galastein Tan, diretor-geral da Federação de Artes Marciais Mistas Internacional (FIMMA). "Leva tempo para mudar percepções. Queremos mostrar que existe uma nova forma de MMA, mais compatível com os ideais olímpicos."

A FIMMA não é a única entidade que reivindica representar o esporte internacionalmente. A Federação Internacional de Artes Marciais Mistas (IMMAF) também reivindica a participação nos Jogos Olímpicos. Em resposta à DW, um porta-voz do Comitê Olímpico Internacional (COI) afirmou que a entidade "atualmente não reconhece uma federação internacional responsável pela MMA a nível mundial", o que impede, por enquanto, a entrada da modalidade no programa olímpico.

Ao mesmo tempo, Gordon Tang, bilionário chinês do setor imobiliário, ocupa o cargo de vice-presidente do Conselho Olímpico da Ásia e preside a FIMMA. E essa posição pode abrir portas para a MMA dentro de um movimento esportivo que historicamente mantinha distância da modalidade, em parte por preocupações com seu grau de violência. A DW procurou a FIMMA e a IMMAF para comentar o assunto, mas não recebeu resposta até o fechamento desta reportagem.

UFC supera o próprio MMA

No passado, o UFC também defendeu a inclusão da MMA nos Jogos Olímpicos. Mas, segundo o jornalista e escritor Karim Zidan, o crescimento da organização tornou essa meta menos relevante.

A força do UFC ficou evidente em 2026, quando a organização realizou um evento nos jardins da Casa Branca durante as celebrações dos 250 anos da independência dos Estados Unidos. Para Zidan, isso mostra como as prioridades do esporte mudaram desde os tempos em que s MMA era uma modalidade marginal.

 
UFC organizou lutas em frente à Casa Branca
UFC organizou lutas em frente à Casa Branca© Kent Nishimura/AP Photo/picture alliance

 

"Não acho necessariamente que isso seja tão importante para s MMA. O esporte já encontrou sucesso no nível profissional, que era exatamente o que os fãs buscavam", afirmou Zidan. "O UFC está maior do que nunca em termos de receitas", acrescentou.

"O crescimento do UFC popularizou a MMA, mas também acabou absorvendo grande parte do ecossistema da modalidade. Sobrou muito pouco além dele. O reconhecimento olímpico pode parecer um selo de prestígio, mas não traria muito mais do que isso."

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As modalidades dos Jogos Olímpicos que acontecerão em Los Angeles em 2028 já estão definidos. Além disso, segundo o COI, a MMA também está fora da disputa por uma vaga nos Jogos de Brisbane, em 2032. "Apenas modalidades administradas por federações internacionais reconhecidas pelo COI e presentes nos programas olímpicos de Tóquio 2020, Paris 2024 ou Los Angeles 2028 podem ser consideradas. As artes marciais mistas não atendem a esses critérios", afirmou o porta-voz da do COI.

Popularidade é suficiente?

Galastein Tan acredita que a popularidade global da modalidade pode ajudar a mudar esse cenário. "A MMA é popular no mundo todo, desperta forte envolvimento emocional dos fãs e atrai especialmente o público jovem", disse.

Mas, para Zidan, essa popularidade está ligada ao UFC, e não necessariamente ao esporte como um todo. "Não existe um ecossistema robusto de MMA fora do UFC que me permita dizer que há uma visão alternativa da modalidade pressionando por essa mudança. Existem grupos que praticam e acompanham a MMA amadora, mas eles representam uma parcela pequena dos fãs", argumentou.

 

Ele também relativiza a importância da estreia da modalidade nos Jogos Asiáticos. "Sinceramente, não estou convencido de que este seja um divisor de águas para a MMA. Acho que o esporte sofreu bastante sob o peso da influência do UFC na última década."

Ligações políticas e regimes autoritários

A relação entre o UFC e o governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, são conhecidas. O presidente da organização, Dana White, discursou na Convenção Nacional Republicana de 2024.

Mas Zidan chama atenção para os vínculos da IMMAF com a Brave Combat Federation, uma organização do Bahrein liderada por Khalid bin Hamad Al Khalifa, filho do rei Hamad bin Isa Al Khalifa. Segundo um relatório da Anistia Internacional publicado em 2025, o Bahrein continua reprimindo direitos como a liberdade de expressão, associação e reunião pacífica, inclusive colocando em prática detenções arbitrárias e processos judiciais.

 

Para Zidan, a conexão entre a MMA e governos autoritários se tornaram cada vez mais comuns. "O esporte já teve relações desse tipo no passado e é provável que elas se fortaleçam. Se a estreia nos Jogos Asiáticos e uma eventual aceitação nos Jogos Olímpicos significarem mais competições amadoras e campeonatos juvenis ao redor do mundo, é muito provável que regimes autoritários queiram se associar a esses eventos."

O desafio da FIMMA, que busca aproximar a MMA do movimento olímpico e diferenciá-lo da imagem associada ao UFC, é tornar a modalidade mais parecida com os esportes convencionais e menos dependente do formato de espetáculo, afirmou à agência de notícias AP, o vice-presidente da entidade, Alex Engelhardt. "É um grande desafio porque toda a mentalidade do esporte ainda gira em torno das promoções e dos eventos comerciais", disse.

Mesmo que essa mudança aconteça, e que a estreia nos Jogos Asiáticos ajude a dar mais legitimidade à MMA, a presença da modalidade nos Jogos Olímpicos ainda parece distante.

 

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Autor: Matt Pearson

 

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