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Edson Barboza detalha o motivo sombrio de sua aposentadoria do UFC: 'Quase perdi a visão'

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Embora tenha se mostrado evasivo antes do UFC 330 , Edson Barboza sabia que a luta do último sábado contra Esteban Ribovics seria a última vez que ele entraria no octógono.

Barboza (24-15 MMA, 18-15 UFC), um veterano lutador dos pesos-leves e penas que estreou na organização em novembro de 2010, viu sua carreira de sucesso chegar ao fim após uma derrota por nocaute técnico no segundo round para Esteban Ribovics, na Filadélfia. Foi uma cena emocionante para o brasileiro, que chorou a caminho do octógono e, em seguida, colocou as luvas no chão sob aplausos da torcida.

"Eu sabia (que seria minha última luta)", disse Barboza ao MMA Junkie na quarta-feira. "Eu estava conversando com minha esposa, e principalmente com minha esposa e meus filhos, as únicas pessoas com quem eu falava, e disse: 'Acho que acabou'. É minha esposa e meus filhos. Tentei dizer: 'Não, não é o fim' para manter o foco. Mas eu sei. Lá no fundo, eu sei que vai ser o fim. Não importava o resultado. Se eu ganhasse, eu me aposentaria. Se eu perdesse, eu me aposentaria porque sinto que não sou mais o mesmo fisicamente."

 

Barboza, de 40 anos, disse que a ideia de aposentadoria começou a se cristalizar após sua derrota para Lerone Murphy na luta principal de maio de 2024. Ele sofreu uma lesão ocular durante o combate, que comprometeu sua visão desde então. Havia quem especulasse se ele deveria pendurar as luvas naquele momento, mas ele continuou lutando por mais de dois anos e três combates, todos perdidos e com desvantagem no placar.

"Percebi, durante minha luta contra Lerone Murphy, no evento principal, que sofri uma lesão muito grave no olho", disse Barboza. "Quase perdi a visão do olho direito. A maioria das pessoas não faz ideia disso. Não consigo enxergar com esse lado. Foi a primeira vez que realmente comecei a pensar: 'Meu Deus, esse esporte é difícil e perigoso'. Comecei a pensar: 'OK, talvez seja hora de parar'. Imagine se eu perdesse a visão? Comecei a pensar nisso e conversei com minha esposa, e ela disse: 'Pare agora mesmo. Não me importo'. Eu disse: 'Não, deixe-me tentar mais algumas lutas e ver como me sinto'."

 

"Comecei a pensar na minha aposentadoria depois da minha luta contra o Murphy, que foi a luta principal. Foi uma loucura, porque eu vinha de duas lutas principais seguidas de pensar em parar. Não vejo nada de bom vindo daqui. Realmente não vejo. Aí meu corpo... sinto que não sou o mesmo. Minhas últimas três lutas foram perfeitas para mim. Eu assisti às lutas e pensei: 'Essa é a luta perfeita'. Aí eu sinto que minha mente está lá. Eu sei tudo o que tenho que fazer, mas meu corpo não acompanha. Eu disse: 'Cara, acho que é o fim'."

 
 
 

Créditos a Herb Dean

Barboza disse que aproveitou cada momento do UFC 330, desde as entrevistas da semana da luta até o corte de peso e a troca de socos pela última vez dentro do octógono. Ele não teve muitos momentos de sucesso contra Ribovics, e Barboza disse que era grato ao árbitro Herb Dean por ter interrompido a luta antes que ele levasse um golpe que o nocauteou, pois assim ele pôde desfrutar de seu momento de despedida ao lado de sua família e equipe.

 

"Com certeza (Dean fez um ótimo trabalho)", disse Barboza. "Quando ele interrompeu a luta, eu fui até ele e disse: 'Cara, obrigado'. Porque eu estava lá, mas não estou mais. Eu sei que não posso continuar lutando daquele jeito. Mas, ao mesmo tempo, se o cara me acertasse mais um golpe forte, eu estaria em grandes apuros. Tipo, fala sério. Minha última luta, eu não quero estar no hospital. Eu o agradeci por isso e por interromper a luta."

"Não se trata de ganhar ou perder. Entrei lá para vencer, mas é o momento perfeito. É a hora perfeita. Tudo foi perfeito. Sei que Deus está sempre comigo e que Ele faz o que é certo."

 

As consequências da aposentadoria

Barboza disse que, desde sábado, recebeu um telefonema do executivo do UFC, Hunter Campbell, agradecendo-lhe por seus esforços. O CEO do UFC, Dana White, o elogiou na coletiva de imprensa pós-luta, e o veterano casador de lutas Sean Shelby também lhe enviou uma mensagem de texto expressando gratidão por sua longa trajetória no octógono.

Ao longo de sua carreira, Barboza conquistou 13 bônus pós-luta, incluindo 10 prêmios de Luta da Noite, o que o coloca em segundo lugar na história da organização, atrás apenas dos 11 de Justin Gaethje. Com 33 lutas no octógono, incluindo 18 vitórias e seis eventos principais, Barboza dedicou-se de corpo e alma ao UFC por quase 16 anos e protagonizou um dos momentos mais memoráveis da história do MMA: o nocaute com um chute giratório sobre Terry Etim no UFC 142.

Após uma carreira tão brilhante, seria de se esperar que Barboza estivesse bem encaminhado para a vida após o boxe. Ele confirmou que esse é o caso e disse que atribui o sucesso à sua esposa e à sua equipe, que o ajudaram a tomar as decisões financeiras corretas para que não precise lutar novamente. Barboza pediu explicitamente a todos os promotores externos que não contatassem seu empresário para lhe oferecer qualquer oportunidade.

 

"Com certeza (estou financeiramente seguro)", disse Barboza. "Graças a Deus, fiz as escolhas certas na minha vida e minha esposa sempre me ajudou em tudo, me incentivando a pensar no futuro. Para ser honesto, eu não imaginava, naquela época, que ficaria no UFC por 16 anos. Lutadores não fazem isso por muito tempo. Eu precisava investir meu dinheiro para pensar no futuro. Tenho filhos. Fiz as escolhas certas nessa parte da minha vida em relação aos investimentos. Mas ainda tenho 40 anos. Ainda sou jovem e muito animado com o futuro. Tenho muitas coisas para realizar. Graças a Deus, fiz as escolhas certas no lado financeiro."

O que o futuro reserva para Edson Barboza?

Embora não tenha intenção de lutar novamente, Barboza não se afastará completamente do mundo das lutas. O próximo capítulo de sua carreira será dedicado a transmitir seus anos de experiência para a próxima geração de lutadores, já que ele afirmou que em breve assumirá o papel de treinador, mentor e auxiliar de treinador.

 

"Treino desde os 8 anos de idade", disse Barboza. "Não acho justo comigo mesmo, com meus fãs ou com outros lutadores guardar isso só para mim. Aprendi com os melhores treinadores do mundo e não posso guardar esse conhecimento só para mim. Preciso compartilhar com outras pessoas. Quero muito compartilhar tudo o que sei e tudo o que vejo sobre a trocação no MMA. Estou muito animado para o futuro porque vou compartilhar isso com as pessoas. Quero ser treinador."

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