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Após mudança, lesão, pandemia e quase três anos longe, Thominhas comemora volta: "Esperei muito"

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Após mudança, lesão, pandemia e quase três anos longe, Thominhas comemora volta: "Esperei muito"

Mensagem 04 Set 2020 06:07

Peso-galo, que não luta desde janeiro de 2018, enfrenta Alejandro Perez em outubro. Ele destaca peso de sua história no UFC, alerta com a Covid-19 e psicológico para suportar problemas

Mudança para Las Vegas. Lesão na retina. Pandemia. Cada uma das coisas contribuiu para que Thomas Almeida ficasse quase três anos longe do octógono. De luta marcada para 10 de outubro contra o mexicano Alejandro Perez, o peso-galo brasileiro não contém a felicidade ao falar sobre a volta iminente, marcada para acontecer em Abu Dhabi, na “Ilha da Luta”.

- O sentimento hoje é de felicidade. Esperei muito tempo por isso. Tive que trabalhar isso bem na minha mente, que tinha que estar bem preparado porque a minha hora ia chegar, e foi isso que fiz. Estou me mantendo mais próximo do peso, e já estava treinando bastante, porque sabia que minha hora chegaria, e a hora chegou. Agora é só felicidade, aproveitar cada dia - afirmou o lutador logo no início da entrevista ao Combate.

Thominhas não luta desde 20 de janeiro de 2018. Na ocasião, perdeu para Rob Font, nocauteado no segundo round. Até ali, tinham sido três derrotas nas últimas quatro lutas. A fase era complicada. Ainda assim, ocupava o 12° lugar do ranking dos galos. TJ Dillashaw era o campeão. O atual dono do cinturão - que já passou também por Henry Cejudo - é o russo Petr Yan, que no início de 2018 não tinha nem mesmo estreado no Ultimate. Mas Thominhas ressalta que não será um início do zero, mas um recomeço levando em conta tudo que já fez na organização.

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Thomas Almeida tem treinado de máscara durante a pandemia — Foto: Arquivo Pessoal

- Não, do início nada! A minha história já foi feita, ela não será apagada. Estou escrevendo uma nova história, mas o que já foi não vai apagar. A minha experiência está aqui dentro de mim, isso é uma vantagem que tenho, um ponto positivo. Agora é trabalhar duro, com a cabeça boa, focado, e escrever uma nova história. Mas apagar o que já foi feito não tem como. Não é iniciar, é um recomeço - destacou o lutador paulista, agora com 29 anos e dono de um cartel com cinco vitórias e três derrotas dentro do Ultimate.

Para compreender o que levou Thominhas a ficar todo esse tempo longo do cage, é preciso retornar a 2018. Depois da derrota para Rob Font em Boston, no UFC 220, ele decidiu se mudar para Las Vegas e aproveitar a estrutura do Instituto de Performance do UFC, mas ainda fazendo parte da Chute Boxe/Diego Lima, em São Paulo. Passado o tempo de adaptação, que custou quase todo o ano, ele enfim teve uma luta marcada. Enfrentaria Marlon Vera em março de 2019, no UFC 235, em Las Vegas. Foi quando surgiu o problema de retina no olho esquerdo.

- Tinha me mudado para Las Vegas, fiz essa transição e fiquei ausente até acertar minha vida. Quando acertei, marcaram a luta e estava na preparação, daí tive que operar o olho no início de 2019. Voltei ao Brasil, operei aqui, e aí então tive esse ano de recuperação.

Depois de passar todo o ano de 2019 se recuperando, Thominhas foi a Los Angeles se consultar com um médico do próprio UFC, que o liberou para retornar aos treinos. Foi quando começou a negociação por uma luta. Ele chegou a desejar marcar o retorno para o UFC Brasília, em 14 de março, mas optou por focar no retorno no UFC São Paulo, em 9 de maio. Então surgiu a pandemia do novo coronavírus. A solução só veio com a segunda edição da Ilha da Luta em outubro.

- Teria o UFC em São Paulo e estavam querendo me pôr. Eu estava pronto, mas veio a tal da pandemia e parou tudo. Eles até queriam me colocar para lutar nos EUA, mas o meu visto de trabalho venceu e está difícil de renovar nessa situação. O UFC tentou ajudar, mas não conseguiu, e acabaram me jogando para a ilha (da luta) mesmo.

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Thominhas passou por uma cirurgia no olho esquerdo ainda no início de 2019 — Foto: Arquivo Pessoal

Sobre o adversário, Alejandro Perez, que foi campeão do TUF Latin America 1, em 2014, Thominhas aprovou o nome, e destacou o estilo semelhante e agressivo do adversário. Com 31 anos, “Turbo” é dono de um cartel com 21 vitórias, oito derrotas e um empate.

- Gosto muito dessa luta, esse casamento de estilos é muito bom. Ele é um cara agressivo, um mexicano que tem que respeitar, é duro, vem para cima e busca o nocaute assim como eu. Ele é um pouco mais baixo que eu, então posso usar um pouco mais a minha envergadura. Acho que tem tudo para ser uma grande luta. Vou estar sempre buscando o nocaute, mas quero mostrar também toda a minha evolução.

E para não atrapalhar essa volta tão deseja ao octógono, Thominhas também sabe que precisa se prevenir quanto ao vírus que levou o planeta a uma pandemia. Para entrar na Ilha da Luta, só com teste negativado.

- Já faz um tempo que consegui adaptar a vida, mas tem que ter bastante cuidado, não ir a lugares aglomerados. No treino não tem como (não se aglomerar), a gente precisa treinar, ali a estamos entregues nas mãos de Deus. Fora da academia, não fico indo a restaurantes, não vou a bares, é dentro de casa mesmo, e sempre com as proteções. O que posso fazer, o que posso controlar, estou fazendo. Esperei por tanto tempo para essa luta, não quero sair por causa do vírus. Estou fazendo o que tem que ser feito.

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Thomas Almeida continua na Chute Boxe/Diego Lima, ao lado de nomes como Charles do Bronx e Laureano Staropoli — Foto: Arquivo Pessoal

Durante os anos em que esteve afastado das lutas, Thominhas procurou se reinventar e evoluir no aspecto pessoal e profissional. O lado psicológico foi decisivo para não desistir pelo caminho.

- No começo foi bem difícil até aceitar a ideia de ter que ficar sem treinar, sem lutar, sem fazer as coisas que mais amo na vida. Mas a lição que tirei de tudo isso é que, dentro dessa situação difícil, você tem que tentar tirar uma experiência. Você tem que usar para agregar e melhorar como ser humano, como atleta, e foi isso que fiz. Foquei em outras coisas, em estudar bastante, em rever meus erros, usar o que podia no momento. Me cerquei das pessoas que gostam de mim, fiquei mais próximo da minha família e me apeguei mais a Deus. Foi uma experiência que com certeza trará bons frutos no futuro.

E o que fazer em quase três anos sem poder lutar? O lutador brasileiro aproveitou para fazer o que não tinha muito tempo enquanto vivia um ritmo intenso de lutas, treinos e ajuda a parceiros de equipe.

- Fui viajar bastante. Gosto de viajar, mas muitas vezes por estar treinando, de estar em camp, ou ajudando parceiros de treinos, fico meio limitado. Dessa vez acabei indo para Portugal, fiquei um tempo na praia também, e foram coisas que podia fazer sem medo de ser feliz. Fui estudar mais meu inglês, estudei luta também, revi todas as minhas lutas. Tive que usar essa circunstância para crescer de outro lado.

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Thomas Almeida encara Alejandro Perez no dia 10 de outubro, na Ilha da Luta — Foto: Arquivo Pessoal

A preparação também mudou depois que pôde reavaliar com calma toda a sua carreira. Thominhas deixou de lado o estilo “porrada” para focar em ser um atleta mais completo nas artes marciais mistas.

- Hoje em dia penso como um lutador de MMA completo. Acho que essa é a grande mudança de mentalidade. Antes era muito só “porrada, porrada, porrada”, que foi ótimo, me trouxe grandes frutos, mas pensar em ser completo é o caminho. É por onde o esporte está evoluindo.
Quem também evoluiu foi a categoria peso-galo. De janeiro de 2018 para cá, alguns nomes mudaram no ranking, mas a dificuldade é igual ou maior. Dos 15 nomes daquela ocasião, permanecem Cody Garbrandt, Dominick Cruz, Raphael Assunção, Jimmie Rivera, Marlon Moraes, Aljamain Sterling, Pedro Munhoz e Rob Font. As novidades são o atual campeão Petr Yan, e Cory Sandhagen, Frankie Edgar, Jose Aldo, Cody Stamann, Merab Dvalishvili, Song Yadong e Marlon Vera.

- Todos os caras ali no top 5, e até no top 10, têm chances de ser campeão. Antes era duro, agora está mais ainda, e é muito legal e desafiador. Sou um cara que gosta de desafios, e imagina ser campeão dessa categoria que é a que tem o maior nível, ou uma das maiores. Nunca deixei de assistir e acompanhar a categoria, estou sempre ali estudando e tentando encaixar o meu jogo assistindo aos oponentes. É bem desafiador ter essa pedreira pela frente.
 

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Tomara que não tenha problema algum referente a cirurgia no olho.

 

É novo (29), já tem bagagem, treina numa boa equipe, vejo futuro nele se desenvolver melhor o QI de luta e focar em melhorias técnicas na parte quedas e boxe, já que gosta de trocação.

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Em 9/9/2020 at 7:51 AM, Andrey disse:

Tomara que não tenha problema algum referente a cirurgia no olho.

 

É novo (29), já tem bagagem, treina numa boa equipe, vejo futuro nele se desenvolver melhor o QI de luta e focar em melhorias técnicas na parte quedas e boxe, já que gosta de trocação.

Concordo. Tambem acho que tem futuro.

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7 horas atrás, gabriel floripa disse:

Não sei como esses caras se viram financeiramente

Thomas ganhou muito bonus e investiu bem.

Veio de uma estrutura boa tbm. Classe média, fica mais fácil fazer o pé de meia. Saiu do zero e não do negativo.

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1 hora atrás, Garfield disse:

. Saiu do zero e não do negativo.

Sensacional, mestre Garfield! Uma das melhores frases que já li, e que infelizmente espelha nossa realidade. Parabéns e forte abraço!

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Outro que foi hypado pelo Combate vencendo alguns lutadores medianos, daí enfrentou os tops e teve um choque de realidade. Thomas é um bom lutador, mas não vejo muito futuro no UFC

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O problema do Thominhas é o queixo. Mesmo em eventos aqui no Brasil, apesar de não ter sido nocauteado, esteve próximo disso (envergava mas não quebrava).

No UFC começou assim também na luta contra o Brad Pickett (quase tombou, mas resistiu). Aí foi nocauteado pelo Garbrandt, nocauteado pelo Rob Font, contra o Rivera perdeu na decisão, mas levou knockdown...

Se for pensar que ele ainda é um peso galo... o cara leva muito knockdown.

No mais ele é um bom lutador. Tem um boxe alinhadinho, chuta bem, sabe usar os cotovelos e joelhos... chão não é uma maravilha, mas também consegue se virar.

Não vejo ele sendo campeão, porém deve figurar ali no bolo. Tem condições de fazer boas lutas. 

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38 minutos atrás, Cesar_Rasec disse:

O problema do Thominhas é o queixo. Mesmo em eventos aqui no Brasil, apesar de não ter sido nocauteado, esteve próximo disso (envergava mas não quebrava).

No UFC começou assim também na luta contra o Brad Pickett (quase tombou, mas resistiu). Aí foi nocauteado pelo Garbrandt, nocauteado pelo Rob Font, contra o Rivera perdeu na decisão, mas levou knockdown...

Se for pensar que ele ainda é um peso galo... o cara leva muito knockdown.

No mais ele é um bom lutador. Tem um boxe alinhadinho, chuta bem, sabe usar os cotovelos e joelhos... chão não é uma maravilha, mas também consegue se virar.

Não vejo ele sendo campeão, porém deve figurar ali no bolo. Tem condições de fazer boas lutas. 

concordo

não é madiano pra baixo.. é bom lutador

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15 horas atrás, Garfield disse:

Thomas ganhou muito bonus e investiu bem.

Veio de uma estrutura boa tbm. Classe média, fica mais fácil fazer o pé de meia. Saiu do zero e não do negativo.

Bem observado

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20 horas atrás, Garfield disse:

Thomas ganhou muito bonus e investiu bem.

Veio de uma estrutura boa tbm. Classe média, fica mais fácil fazer o pé de meia. Saiu do zero e não do negativo.

belo comentário mesmo!

e no brasil, infelizmente, sair do negativo é a realidade de muitos e não só nas artes marciais

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