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Eder Jofre55

Lembra dele? Pioneiro do MMA na Inglaterra, brasileiro vive como missionário em Portugal

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Lembra dele? Pioneiro do MMA na Inglaterra, brasileiro vive como missionário em Portugal

Aposentado, veterano Jean Silva relembra conquistas no país europeu, e o famoso batismo na academia Chute Boxe com Maurício Shogun, André Dida e companhia: "Beirou a morte"

Por Gleidson Venga 

whatsapp-image-2019-11-26-at-20.40.09.jp

 

Marcelo Alonso
 

Natural de João Pessoa, na Paraíba, Jean Silva começou sua carreira de lutador como a grande maioria dos atletas: atuando em eventos regionais. Foi no final dos anos 90 que ele teve suas primeiras experiências no Vale-Tudo, e onde começou a dar um novo rumo à sua vida, como contou em entrevista exclusiva ao Combate.com.

- Em 1999, comecei a fazer minhas primeiras lutas. Lutei o WVC, perdi na final para o Moacir Boca, de Recife. Dali eu decidi abrir mão do trabalho. Eu era segurança numa escola, e decidi ir para os Estados Unidos. Mas o dia que eu estava indo tirar o passaporte foi o dia do atentado de 11 de setembro, e então eu tive que mudar de rumo e ir para outro país. Fui para a Inglaterra sem conhecer ninguém. Cheguei lá para imigrar, nem foi para lutar. Mas se tivesse uma luta, claro, seria ótimo.

Chegar em Londres sem falar inglês e sendo praticante de um esporte pouco conhecido na época não foi tarefa fácil. Bater de porta em porta era a maneira escolhida para mostrar o seu trabalho.

- Cheguei em Londres só com uma bolsa nas costas, alguns equipamentos e umas fotos de quando eu lutava. Eu tinha feito umas 10 lutas contra alguns caras do Nordeste. Fiquei nove horas na imigração, onde 10 brasileiros ficaram retidos, e só eu e uma outra menina eles deixaram entrar depois desse tempo. Eu já estava quase desistindo, querendo ir embora. E quando eu entrei eu sabia que ia fazer história. Não sabia como, mas senti isso claramente no meu coração. Chegando lá, fui em algumas academias, mas só tinha academia de boxe naquela época. Eu não falava a língua, fui para mostrar as fotos e falar das lutas que eu fazia. Eles não tinham conhecimento do que era aquilo, então não abriram as portas para mim.

Mas tudo começou a mudar para o brasileiro quando as oportunidades começaram a aparecer e ele conseguiu mostrar suas principais habilidades: o jiu-jítsu e a capoeira.

- Me levaram para uma academia de ju-jitsu, não era jiu-jítsu. Sempre que ia no chão eu finalizava todo mundo. Só que do lado tinha um tatame com um treinamento de wrestling, e o treinador ficou olhando e pediu pra me levarem numa academia que ele estava abrindo naquela semana, que era a London Shootfighters, onde o Michael Page treina atualmente. Era um frio imenso, fui treinar como se tivesse no Brasil, de bermuda e descalço. Fiquei com os pés congelados. Tomei um sacode de todo mundo na academia. O cara me olhou e perguntou se eu lutava mesmo. Eu disse que sim. Ele então falou que teria um evento em 15 dias e perguntou se eu queria ir. Eu topei na hora. O evento se chamava Millenium Brawl, era o único evento que tinha, era clandestino, faziam entre gangues.

- Cheguei lá pra lutar com o campeão, que era amigo dos caras da London Shootfighters. Os caras tinham armado pra mim. Nessa noite também foi a estreia do Fabrício Werdum, eu o conheci nesse dia. Ele estava só com o irmão dele. Ele fez o meu córner, e eu o dele. Na hora da luta, me deu na cabeça de fazer uma capoeira. O Ben Stewart era o meu adversário, era um fenômeno de lá. Ele ficou meio perdido, e o público achou meio estranho um cara com a capoeira. Eu derrubei e o finalizei no segundo round. Ficou só eu e o Werdum comemorando. Nesse evento, como era na maioria das vezes, a gente ia mais no amor, mas ainda assim ganhei mais dinheiro do que se fosse no Brasil. No outro dia, saiu em alguns jornais e tinha só um site que publicava algumas coisas e eles colocaram lá: "A volta de Bruce Lee". Eu dava uns saltos e uns movimentos de capoeira, e essa foi a grande chave do negócio. Eu decidi fazer aquilo em todas as lutas.

http://sportv.globo.com/combate/videos/v/os-melhores-momentos-de-jean-silva-no-cage-rage-9/8121000/

Os Melhores Momentos de Jean Silva no Cage Rage 9

Após a primeira luta, as portas começaram a se abrir para Jean, mais eventos surgiram na região, sendo um deles o Cage Rage, onde se consagrou diante do público inglês.

- Depois dessa estreia apareceram outros eventos. Lutei com o Alex Reid, que era um cara famoso por lá, tinha sido campeão do Big Brother, mas foi um "No Contest" (sem resultado), porque chutei o rosto dele no chão. Depois disso começou o Cage Warriors. Lutei o segundo evento. Depois fui trabalhar na construção civil como ajudante de pedreiro e conheci os donos da empresa, que eram apaixonados por luta. Eles tinham uma academia, onde fiquei dando aula de jiu-jítsu e depois eles falaram em fazer um evento. Eu disse pra eles como fazer, desenhei no papel. Eles criaram o Cage Rage, e eu lutei a primeira edição mais pela amizade mesmo. Depois o negócio foi crescendo, vieram grandes nomes. Eu já era o campeão, mas perdi o cinturão, e no Cage Rage 4 eu o reconquistei contra um americano que era duríssimo. Fiquei uns três anos consecutivos com o cinturão. O evento foi crescendo até chegar na Wembley Arena, onde tinha um público de 20 mil pessoas pra assistir, fora o pay-per-view. Nessa altura já saí do trabalho e comecei a entrar mais no lado profissional, de viver só pra treinar. A London Shootfighters me chamou para treinar, e eu comecei lá.

Enquanto brilhava como um dos principais ídolos do MMA na Inglaterra, Jean viu o esporte bombando no Japão com o Pride. Se havia o sonho de lutar por lá, o caminho para a Terra do Sol Nascente teria que passar pelo Brasil. Foi então que decidiu tomar mais uma importante decisão.

- Naquela época, era o auge de duas grandes equipes no Brasil: a Chute Boxe e a Brazilian Top Team. Só que eu sempre tive uma rivalidade, hoje posso dizer que saudável, com outro lutador, que era o Junior Buscapé. A Paraíba sempre quis ver essa luta. E, como ele era da Brazilian Top Team, eu decidi ir para a Chute Boxe, porque se eu quisesse crescer teria que sair da zona de conforto. Voltei para o Brasil porque eu tinha família e fui para Curitiba fazer um teste.

chuteboxe11.jpg

Jean Silva (ao fundo) precisou passar por um teste para entrar na lendária equipe de Wanderlei Silva — Foto: Marcelo Alonso

Equipe curitibana que revelou nomes como Anderson Silva, Wanderlei Silva, Maurício Shogun e Pelé Landy, a Chute Boxe sempre foi conhecida pelos seus treinos duros. E o teste pelo qual Jean Silva passou para entrar na equipe do Mestre Rudimar Fedrigo ficou marcado em sua memória.

- Posso dizer que foi o pior teste da minha vida (risos). Beirou a morte. Fiquei encantado, mas como eu tinha o cinturão do Cage Rage, eu meio que me achava. Eu não era do mesmo nível, mas também não estava por baixo. Sabia que quem chegasse lá na Chute Boxe ou passava no teste ou iria ao hospital. Eu fiz um treino no meu primeiro sábado contra uns caras que estavam lá, e me dei um pouco bem. O mestre Rafael Cordeiro e o mestre Rudimar Fedrigo disseram que fui bem e falaram para voltar. Na segunda, a Chute Boxe estava lá em peso, além da torcida, lotada. Mandaram colocar luva, colete, caneleira e sair na porrada. Não quis colocar o colete, pois não tinha esse costume. Meu primeiro treino foi com o Luis Azeredo. Perguntei como era o treino, e ele falou que era saindo na mão. Ele chegou batendo e pensei: "Nossa, já fui atropelado por um!". Era 30 segundos de descanso por cinco minutos. Quando eu fui dar uma respirada, dei três puxadas no pulmão, veio o (Maurício) Shogun. Ele já me derrubou, veio me bicando, dando chute na cara, na costela, de tudo quanto é jeito. Quando eu me levantei, os caras falaram: "Que paraíba mais duro, não quer cair!". Eu me levantei e veio o Nino Schembri. Fiquei mais tranquilo porque ele era do jiu-jítsu. Baixei a guarda, ele me deu um chute na cabeça, eu caí, mas levantei.

 

- O último round era contra um cara do meu tamanho, mas eu não sabia o peso da mão dele, que era o André Dida. Quando esse cara veio com aquela mão de pedra, ele me arrebentava, mas eu não queria cair. Eu caía e levantava, parecia um boneco. Fiquei todo arrebentado. Acabou o treino, eu fiquei todo arrebentado num canto e pensei "Cara, eu desisto, não nasci pra isso". Eu já tava pensando em desistir, não passei nesse teste, estava frustrado. De repente, o Mestrão (Rudimar) falou: "Vamos dar os parabéns ao novo membro da equipe e vamos comemorar". Então todos chegaram, me abraçaram, me levantaram e aí foi mais tranquilo.

 

Já na famosa equipe paranaense, Jean finalmente foi chamado para lutar no Pride em 2005. Seu adversário foi Takanori Gomi, principal peso-leve do mundo naquela época, que vinha de seis vitórias seguidas, sendo cinco nocautes e uma finalização. O brasileiro acabou derrotado na decisão dos jurados, mas conta que jamais vai esquecer aquela experiência.

- Quando me chamaram pra lutar no Pride com o Takanori Gomi eu fiquei muito feliz. Sempre lutei porque eu gostava, então não era aquela coisa de sentir medo, mas confesso que quando cheguei lá e senti aquela atmosfera, fiquei encantado com toda aquela produção. Acho que aquilo ali me abalou um pouco, mexeu muito com minhas emoções. Chorei muito na minha entrada, estava emocionado. É como se alguém falasse "você chegou nesse nível e agora pode parar", não tinha alguém ali pra me dizer que aquilo era só o início. Fizemos uma grande luta. Posso dizer que foi uma das melhores e mais duras que eu já fiz. Era a Copa do Mundo do MMA. Acho que o UFC nunca vai chegar naquele nível. Ninguém tinha conseguido passar mais de três minutos na frente do Takanori e na época foi um grande mérito eu ter feito três rounds de porrada com ele. Foi um lutão!

whatsapp-image-2019-11-26-at-20.41.27-2-

De volta ao Brasil, Jean Silva (direita) venceu grandes do MMA nacional, como Miltinho Vieira — Foto: Marcelo Alonso

Nos anos seguintes, Jean Silva seguiu lutando em diversos eventos, entre eles o Super Challenge, onde venceu Leo Santos e Miltinho Vieira na mesma noite, além de outros shows mundo afora. E foi no início desta década que seu ritmo começou a diminuir, e ele passou a se dedicar a outros negócios, até ter uma experiência que mudou o rumo de sua vida.

- Em 2011, voltei para João Pessoa. Lá entrei como administrador de uma construção de um hotel, depois me formei em mestre de obras e fui administrar esse hotel. Fiquei até 2015 como administrador do hotel. Em 2015 fiz uma luta só por hobby, no Shooto Brasil, e foi um lutaça! Acho que ganhei disparado aquela luta, mas foi para a decisão... Era em Recife, com o público do cara, mas não estava nem aí para o resultado, lutei por hobby, deram a vitória para ele. Depois abri uma academia, dei aula pra alguns atletas, e em seguida tive uma experiência muito forte.

- Na verdade já tinha tido essa experiência com Jesus. Ele tinha me chamado e dessa vez intensificou, me chamando pra uma nova fase da vida, que não era lutar contra carne e sangue, mas lutar no espírito. Achei estranho, mas fui me entregando de corpo e alma, e Jesus foi fazendo uma transformação em minha vida. Aí Ele me trouxe para Portugal como missionário, vivo aqui como missionário com minha esposa e filho, e nós vivemos nos Açores, na Ilha de São Miguel, no meio do oceano, ministrando a palavra de Jesus para o pessoal aqui numa vida de missionário mesmo. Foi uma grande reviravolta em minha vida. E me sinto muito feliz. Foi uma carreira boa no MMA, mas melhor ainda estou hoje. Não vou nem falar como religioso, vou falar como uma pessoa que conheceu uma verdade, e essa verdade é quem eu sou hoje, como eu vivo hoje como missionário. Sou muito feliz e completo, que era algo que faltava em toda minha carreira. Tinha um vazio dentro de mim. Quando eu descobri que Jesus é que preenche esse vazio, é o que eu vivo hoje. Não sou eu mais, é Deus em mim. E Ele tem me preenchido.

 

 

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Caraca, pensa vc ser um peso leve e o Shogum te moer na porrada, e tu ainda ter que lutar mais e mais.
Não sei se Wand e pele estavam esse dia, mas se estivessem acho que ele mencionaria, pq esses ai eram doidos de pedra na epoca em especial.

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6 minutos atrás, pipo disse:

lutava muito

tivemos uma geração muito foda de leves bemmmm antes de UFC, etc..

Lutava demais

Era um showman

Então foi isto que aconteceu com ele

Fico feliz que está vivendo bem e está feliz

Sucesso pra ele

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Maneiro, o cara realmente abriu portas na Inglaterra.

Esse evento em que lutou contra o Léo Santos foi foda, um GP com os melhores lutadores do Brasil. Morango foi o campeão dos leves, e Demian Maia o dos médios. Além disso, tivemos Macaco enfrentando seu antigo amigo/sócio, Roberto Godoy.

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19 horas atrás, Raphael Rezende disse:

Maneiro, o cara realmente abriu portas na Inglaterra.

Esse evento em que lutou contra o Léo Santos foi foda, um GP com os melhores lutadores do Brasil. Morango foi o campeão dos leves, e Demian Maia o dos médios. Além disso, tivemos Macaco enfrentando seu antigo amigo/sócio, Roberto Godoy.

bem lembrado

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Jean Silva

Leo Santos

Gesias

Luciano Azevedo

Luis Azeredo

Shaolin

Miltinho

Johnny Eduardo

Buscapé 

Ronny Torres

 

sempre tivemos uma geração muito foda de lutadores leves. 

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Em 11/28/2019 at 11:03 AM, Eder Jofre55 disse:

Lembra dele? Pioneiro do MMA na Inglaterra, brasileiro vive como missionário em Portugal

Aposentado, veterano Jean Silva relembra conquistas no país europeu, e o famoso batismo na academia Chute Boxe com Maurício Shogun, André Dida e companhia: "Beirou a morte"

Por Gleidson Venga 

whatsapp-image-2019-11-26-at-20.40.09.jp

 

Marcelo Alonso
 

Natural de João Pessoa, na Paraíba, Jean Silva começou sua carreira de lutador como a grande maioria dos atletas: atuando em eventos regionais. Foi no final dos anos 90 que ele teve suas primeiras experiências no Vale-Tudo, e onde começou a dar um novo rumo à sua vida, como contou em entrevista exclusiva ao Combate.com.

- Em 1999, comecei a fazer minhas primeiras lutas. Lutei o WVC, perdi na final para o Moacir Boca, de Recife. Dali eu decidi abrir mão do trabalho. Eu era segurança numa escola, e decidi ir para os Estados Unidos. Mas o dia que eu estava indo tirar o passaporte foi o dia do atentado de 11 de setembro, e então eu tive que mudar de rumo e ir para outro país. Fui para a Inglaterra sem conhecer ninguém. Cheguei lá para imigrar, nem foi para lutar. Mas se tivesse uma luta, claro, seria ótimo.

Chegar em Londres sem falar inglês e sendo praticante de um esporte pouco conhecido na época não foi tarefa fácil. Bater de porta em porta era a maneira escolhida para mostrar o seu trabalho.

- Cheguei em Londres só com uma bolsa nas costas, alguns equipamentos e umas fotos de quando eu lutava. Eu tinha feito umas 10 lutas contra alguns caras do Nordeste. Fiquei nove horas na imigração, onde 10 brasileiros ficaram retidos, e só eu e uma outra menina eles deixaram entrar depois desse tempo. Eu já estava quase desistindo, querendo ir embora. E quando eu entrei eu sabia que ia fazer história. Não sabia como, mas senti isso claramente no meu coração. Chegando lá, fui em algumas academias, mas só tinha academia de boxe naquela época. Eu não falava a língua, fui para mostrar as fotos e falar das lutas que eu fazia. Eles não tinham conhecimento do que era aquilo, então não abriram as portas para mim.

Mas tudo começou a mudar para o brasileiro quando as oportunidades começaram a aparecer e ele conseguiu mostrar suas principais habilidades: o jiu-jítsu e a capoeira.

- Me levaram para uma academia de ju-jitsu, não era jiu-jítsu. Sempre que ia no chão eu finalizava todo mundo. Só que do lado tinha um tatame com um treinamento de wrestling, e o treinador ficou olhando e pediu pra me levarem numa academia que ele estava abrindo naquela semana, que era a London Shootfighters, onde o Michael Page treina atualmente. Era um frio imenso, fui treinar como se tivesse no Brasil, de bermuda e descalço. Fiquei com os pés congelados. Tomei um sacode de todo mundo na academia. O cara me olhou e perguntou se eu lutava mesmo. Eu disse que sim. Ele então falou que teria um evento em 15 dias e perguntou se eu queria ir. Eu topei na hora. O evento se chamava Millenium Brawl, era o único evento que tinha, era clandestino, faziam entre gangues.

- Cheguei lá pra lutar com o campeão, que era amigo dos caras da London Shootfighters. Os caras tinham armado pra mim. Nessa noite também foi a estreia do Fabrício Werdum, eu o conheci nesse dia. Ele estava só com o irmão dele. Ele fez o meu córner, e eu o dele. Na hora da luta, me deu na cabeça de fazer uma capoeira. O Ben Stewart era o meu adversário, era um fenômeno de lá. Ele ficou meio perdido, e o público achou meio estranho um cara com a capoeira. Eu derrubei e o finalizei no segundo round. Ficou só eu e o Werdum comemorando. Nesse evento, como era na maioria das vezes, a gente ia mais no amor, mas ainda assim ganhei mais dinheiro do que se fosse no Brasil. No outro dia, saiu em alguns jornais e tinha só um site que publicava algumas coisas e eles colocaram lá: "A volta de Bruce Lee". Eu dava uns saltos e uns movimentos de capoeira, e essa foi a grande chave do negócio. Eu decidi fazer aquilo em todas as lutas.

http://sportv.globo.com/combate/videos/v/os-melhores-momentos-de-jean-silva-no-cage-rage-9/8121000/

Os Melhores Momentos de Jean Silva no Cage Rage 9

Após a primeira luta, as portas começaram a se abrir para Jean, mais eventos surgiram na região, sendo um deles o Cage Rage, onde se consagrou diante do público inglês.

- Depois dessa estreia apareceram outros eventos. Lutei com o Alex Reid, que era um cara famoso por lá, tinha sido campeão do Big Brother, mas foi um "No Contest" (sem resultado), porque chutei o rosto dele no chão. Depois disso começou o Cage Warriors. Lutei o segundo evento. Depois fui trabalhar na construção civil como ajudante de pedreiro e conheci os donos da empresa, que eram apaixonados por luta. Eles tinham uma academia, onde fiquei dando aula de jiu-jítsu e depois eles falaram em fazer um evento. Eu disse pra eles como fazer, desenhei no papel. Eles criaram o Cage Rage, e eu lutei a primeira edição mais pela amizade mesmo. Depois o negócio foi crescendo, vieram grandes nomes. Eu já era o campeão, mas perdi o cinturão, e no Cage Rage 4 eu o reconquistei contra um americano que era duríssimo. Fiquei uns três anos consecutivos com o cinturão. O evento foi crescendo até chegar na Wembley Arena, onde tinha um público de 20 mil pessoas pra assistir, fora o pay-per-view. Nessa altura já saí do trabalho e comecei a entrar mais no lado profissional, de viver só pra treinar. A London Shootfighters me chamou para treinar, e eu comecei lá.

Enquanto brilhava como um dos principais ídolos do MMA na Inglaterra, Jean viu o esporte bombando no Japão com o Pride. Se havia o sonho de lutar por lá, o caminho para a Terra do Sol Nascente teria que passar pelo Brasil. Foi então que decidiu tomar mais uma importante decisão.

- Naquela época, era o auge de duas grandes equipes no Brasil: a Chute Boxe e a Brazilian Top Team. Só que eu sempre tive uma rivalidade, hoje posso dizer que saudável, com outro lutador, que era o Junior Buscapé. A Paraíba sempre quis ver essa luta. E, como ele era da Brazilian Top Team, eu decidi ir para a Chute Boxe, porque se eu quisesse crescer teria que sair da zona de conforto. Voltei para o Brasil porque eu tinha família e fui para Curitiba fazer um teste.

chuteboxe11.jpg

Jean Silva (ao fundo) precisou passar por um teste para entrar na lendária equipe de Wanderlei Silva — Foto: Marcelo Alonso

Equipe curitibana que revelou nomes como Anderson Silva, Wanderlei Silva, Maurício Shogun e Pelé Landy, a Chute Boxe sempre foi conhecida pelos seus treinos duros. E o teste pelo qual Jean Silva passou para entrar na equipe do Mestre Rudimar Fedrigo ficou marcado em sua memória.

- Posso dizer que foi o pior teste da minha vida (risos). Beirou a morte. Fiquei encantado, mas como eu tinha o cinturão do Cage Rage, eu meio que me achava. Eu não era do mesmo nível, mas também não estava por baixo. Sabia que quem chegasse lá na Chute Boxe ou passava no teste ou iria ao hospital. Eu fiz um treino no meu primeiro sábado contra uns caras que estavam lá, e me dei um pouco bem. O mestre Rafael Cordeiro e o mestre Rudimar Fedrigo disseram que fui bem e falaram para voltar. Na segunda, a Chute Boxe estava lá em peso, além da torcida, lotada. Mandaram colocar luva, colete, caneleira e sair na porrada. Não quis colocar o colete, pois não tinha esse costume. Meu primeiro treino foi com o Luis Azeredo. Perguntei como era o treino, e ele falou que era saindo na mão. Ele chegou batendo e pensei: "Nossa, já fui atropelado por um!". Era 30 segundos de descanso por cinco minutos. Quando eu fui dar uma respirada, dei três puxadas no pulmão, veio o (Maurício) Shogun. Ele já me derrubou, veio me bicando, dando chute na cara, na costela, de tudo quanto é jeito. Quando eu me levantei, os caras falaram: "Que paraíba mais duro, não quer cair!". Eu me levantei e veio o Nino Schembri. Fiquei mais tranquilo porque ele era do jiu-jítsu. Baixei a guarda, ele me deu um chute na cabeça, eu caí, mas levantei.

 

- O último round era contra um cara do meu tamanho, mas eu não sabia o peso da mão dele, que era o André Dida. Quando esse cara veio com aquela mão de pedra, ele me arrebentava, mas eu não queria cair. Eu caía e levantava, parecia um boneco. Fiquei todo arrebentado. Acabou o treino, eu fiquei todo arrebentado num canto e pensei "Cara, eu desisto, não nasci pra isso". Eu já tava pensando em desistir, não passei nesse teste, estava frustrado. De repente, o Mestrão (Rudimar) falou: "Vamos dar os parabéns ao novo membro da equipe e vamos comemorar". Então todos chegaram, me abraçaram, me levantaram e aí foi mais tranquilo.

 

Já na famosa equipe paranaense, Jean finalmente foi chamado para lutar no Pride em 2005. Seu adversário foi Takanori Gomi, principal peso-leve do mundo naquela época, que vinha de seis vitórias seguidas, sendo cinco nocautes e uma finalização. O brasileiro acabou derrotado na decisão dos jurados, mas conta que jamais vai esquecer aquela experiência.

- Quando me chamaram pra lutar no Pride com o Takanori Gomi eu fiquei muito feliz. Sempre lutei porque eu gostava, então não era aquela coisa de sentir medo, mas confesso que quando cheguei lá e senti aquela atmosfera, fiquei encantado com toda aquela produção. Acho que aquilo ali me abalou um pouco, mexeu muito com minhas emoções. Chorei muito na minha entrada, estava emocionado. É como se alguém falasse "você chegou nesse nível e agora pode parar", não tinha alguém ali pra me dizer que aquilo era só o início. Fizemos uma grande luta. Posso dizer que foi uma das melhores e mais duras que eu já fiz. Era a Copa do Mundo do MMA. Acho que o UFC nunca vai chegar naquele nível. Ninguém tinha conseguido passar mais de três minutos na frente do Takanori e na época foi um grande mérito eu ter feito três rounds de porrada com ele. Foi um lutão!

whatsapp-image-2019-11-26-at-20.41.27-2-

De volta ao Brasil, Jean Silva (direita) venceu grandes do MMA nacional, como Miltinho Vieira — Foto: Marcelo Alonso

Nos anos seguintes, Jean Silva seguiu lutando em diversos eventos, entre eles o Super Challenge, onde venceu Leo Santos e Miltinho Vieira na mesma noite, além de outros shows mundo afora. E foi no início desta década que seu ritmo começou a diminuir, e ele passou a se dedicar a outros negócios, até ter uma experiência que mudou o rumo de sua vida.

- Em 2011, voltei para João Pessoa. Lá entrei como administrador de uma construção de um hotel, depois me formei em mestre de obras e fui administrar esse hotel. Fiquei até 2015 como administrador do hotel. Em 2015 fiz uma luta só por hobby, no Shooto Brasil, e foi um lutaça! Acho que ganhei disparado aquela luta, mas foi para a decisão... Era em Recife, com o público do cara, mas não estava nem aí para o resultado, lutei por hobby, deram a vitória para ele. Depois abri uma academia, dei aula pra alguns atletas, e em seguida tive uma experiência muito forte.

- Na verdade já tinha tido essa experiência com Jesus. Ele tinha me chamado e dessa vez intensificou, me chamando pra uma nova fase da vida, que não era lutar contra carne e sangue, mas lutar no espírito. Achei estranho, mas fui me entregando de corpo e alma, e Jesus foi fazendo uma transformação em minha vida. Aí Ele me trouxe para Portugal como missionário, vivo aqui como missionário com minha esposa e filho, e nós vivemos nos Açores, na Ilha de São Miguel, no meio do oceano, ministrando a palavra de Jesus para o pessoal aqui numa vida de missionário mesmo. Foi uma grande reviravolta em minha vida. E me sinto muito feliz. Foi uma carreira boa no MMA, mas melhor ainda estou hoje. Não vou nem falar como religioso, vou falar como uma pessoa que conheceu uma verdade, e essa verdade é quem eu sou hoje, como eu vivo hoje como missionário. Sou muito feliz e completo, que era algo que faltava em toda minha carreira. Tinha um vazio dentro de mim. Quando eu descobri que Jesus é que preenche esse vazio, é o que eu vivo hoje. Não sou eu mais, é Deus em mim. E Ele tem me preenchido.

Era guerreiro mesmo!

Que Deus abençoe e ilumine sua vida.

 

 

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7 horas atrás, pipo disse:

Jean Silva

Leo Santos

Gesias

Luciano Azevedo

Luis Azeredo

Shaolin

Miltinho

Johnny Eduardo

Buscapé 

Ronny Torres

 

sempre tivemos uma geração muito foda de lutadores leves. 

Esse Luiz Azeredo era bom mesmo?

Diz até foi mestre do Diego Lima era completo.

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1 hora atrás, Dr. Sapateiro disse:

Era guerreiro mesmo!

Que Deus abençoe e ilumine sua vida.

Acredito que não tenha sido sua intenção ,já pedi várias vezes e o próximo forista que repetir essa mesma prática  vou recomendar punição junto a moderação ,é contra as regras do fórum copiar o texto inteiro apenas para dar uma opinião !

Conto com sua colaboração !

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3 horas atrás, NEGO DÁGUA disse:

Esse Luiz Azeredo era bom mesmo?

Diz até foi mestre do Diego Lima era completo.

Ele era muito bom, suas lutas eram excelentes. Parecia estar sempre à vontade no ringue, dava show.

Recomendo assistir seus dois combates contra o Takanori Gomi, no Pride. O japonês tava no auge, era o melhor leve do momento, e o brasileiro fez performances maravilhosas.

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