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PVT entrevista Robertão Thomaz, o árbitro da mais de 1000 lutas

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Lutadores de MMA atualmente entram no cage uma única vez por noite, e cerca de três a quatro vezes por ano, em média. Entretanto, alguns árbitros sobem no ringue várias vezes durante o mesmo evento e, frequentemente, trabalham todos os finais de semana. Isso faz com que alguns rostos acabem se tornando familiares aos fãs do esporte, e dá a alguns árbitros o status de estrela do show.

Robertão Thomaz é um deles. Aos 52 anos, o veterano conta já ter arbitrado mais de 1000 lutas, e ficou conhecido por seu estilo irreverente e por criar seus próprios jargões aos lutadores, frases como "A luta é sem massagem e sem simpatia", ou "Na jaula, só pode ter um macho alfa". O PVT conversou com Robertão e descobriu um pouco mais sobre a história dessa figura das artes marciais mistas. Confira na entrevista abaixo:

Como foi sua entrada no mundo das artes marciais?

"Nasci no Brasil, mas de origem portuguesa e, geneticamente, sou perna de pau para futebol. Sofri bullying por jogar muito mal, sendo escolhido sempre por último nos rachões e peladas, o que mexeu com os brios de um garoto que decidiu bater nos craques da escolhinha (risos). Fui levado por meu irmão, que já era faixa-preta de caratê e, aos 18 anos, consegui a minha primeira faixa-preta. Treinei boxe inglês por toda a vida; Me graduei, em 1984, professor de capoeira com o Mestre Yves do Abadá, e anos mais tarde, em jiu-jitsu, o que fez com que eu me dedicasse exclusivamente à arte suave".

Em que momento você decidiu se tornar árbitro? Você teve uma passagem pela polícia de São Paulo antes, não é mesmo?

"Através das artes marciais, portas se abriram na Polícia Civil, culminando com minha ida ao GER (Grupo Especial de Resgate), o mais famoso grupo de operações especiais de São Paulo. À medida que a idade chegou, tive que parar de competir e vi a possibilidade de arbitrar MMA como um modo de permanecer dentro do mundo em que eu vivi por toda minha existência".

Quais são suas diretrizes na arbitragem, e por que você acha que se tornou um ícone da profissão no Brasil?

"Guiei minha carreira de árbitro estudando, pesquisando e aprendendo com erros e acertos dos grandes árbitros, estudei vídeos do fenomenal mestre João Alberto Barreto, da primeira geração, e Paulo Borracha, Picinini, Repanas, Jorge Pereira, da segunda. Decidi criar métodos, sistemas didáticos, padronização, uniformidade de conduta arbitral, inventei todo um gestual próprio e criei bordões e jargões, um legado que vem sendo abertamente usado por árbitros nacionais e internacionais. Investi no marketing, gerando um glamour na profissão do árbitro. Tratei de mostrar o jeito certo de arbitrar. Criei a observação criteriosa, ensinei a distância exata para se postar dentro da jaula e ensinei como respeitar os lutadores. Preguei que árbitros de MMA não são juízes de futebol, devem sair sempre na foto da cena final de cara luta. Já arbitrei eventos muito pequenos e mega eventos. Bati recordes de arbitragens de lutas profissionais e até hoje não faço distinção entre eventos de TV e briga de vizinhos: se me chamar, eu arbitro. Sou um homem afortunado, pois tenho milhares de amigos dentro do MMA".

Você diz que já arbitrou mais de 1000 lutas profissionais. Você sabe o número exato?

"Sei sim. Foram 1282 lutas até o último sábado, todas no Sherdog. Tem outros árbitros que vem vindo perto, como Roberto Picinini e Flávio Almendra, que estão na cola. Eu arbitro de quatro a seis eventos por mês, e pretendo chegar às 1500".

Uma de suas principais marcas registradas são seus bordões, frases originais que você costuma falar para os atletas. De onde surgiram essas ideias?

"Eu criei o motivacional de centro de cage inspirado em João Alberto Barreto e Jorge Pereira, que fazia isso no Rio Heroes. Hoje, virou uma marca registrada. Nasci no tatame e, como árbitro, sinto a temperatura desde a pesagem. Na hora, procuro motivar essa molecada sinistra, pois, sem hipocrisia, o fundamento do MMA é a guerra entre atletas. Sou da velha guarda, mas inovo em prol do MMA. Se repararem, tanto nas fotos das pesagens, como no centro do cage, vão ver o respeito que eles têm pela figura do Robertão e orgulho de saber que vou erguer a mão de um deles. Só proponho a verdade marcial, eles vão mesmo decidir na porrada, sair na mão, e nunca no par ou ímpar. Um vence e o outro aprende, ninguém perde. Na jaula, só pode mesmo ter um macho alfa. Tenho visto fazerem agora esses motivacionais, até na Malhação, onde meu irmão Almendra tem papel de destaque (risos)".

Você pode citar alguns de seus famosos jargões?

"'O cage não é lugar para diletantes', 'Vamos matar a curiosidade do grande público', 'Estou aqui para cobrar o cumprimento das regras e proteger a integridade física do lutador em momento desfavorável', 'Quem manda nessa jaula sou eu, e a boa é que eu vou deixar o pau cantar', 'Com responsabilidade, vou deixar o pau comer', 'O chicote vai estalar', 'Subiu na jaula já é campeão', e muitos outros".

Como você enxerga o nível da arbitragem nacional e internacional atualmente?

"Assim como a matéria-prima, lutador brasileiro, é a melhor, os árbitros brazucas são os melhores do planeta, afinal, o vale-tudo nasceu aqui. Temos grandes profissionais, e o melhor, estamos cada dia mais unidos. Eu divido meus cages com muitos árbitros em todos os estados, trocamos experiências e damos muito pitaco para ajudar a uniformizar. Fora do Brasil, tenho admiração pelo Herb Dean e Gary Copeland, ambos do UFC, e já trabalhamos juntos. Acho o Big John lendário. Esses três têm muita história e merecem respeito e reverência".

Você tem planos de trabalhar em um evento do UFC um dia?

"Sou orgulhoso, mas não sou vaidoso, não sou ególatra. Arbitro em todo o Brasil, fiz milhares de grandes amigos e irmãos, tenho o respeito e a credibilidade. Tenho coerência e planejei minha carreira. Não tenho rejeição, muito pelo contrário, me sinto em casa no mundo do MMA. Eu saio na mão, treino com os caras, apanho muito, é verdade, e sei que o UFC merecia árbitros como eu e Almendra. Aliás, eles precisam. Mas sei do meu tamanho. Não sou político, sou apenas o Robertão, que ama arbitrar em qualquer lugar. Sei que não vou ao UFC, mas sei que o Brasil e seus maravilhosos lutadores iam se amarrar em ver um árbitro cascudo, que não paga pau pra cartolas do MMA".

Nessas mais de 1000 lutas, quais foram os atletas que você viu de dentro do ringue e que mais de impressionaram?

"Ricardo Ramos Carcacinha, Antônio Trocolli Malvado, Marcos Babuíno, André Muniz Sergipano, Arthur Oliveira, Maurílio Touro, Thomas Almeida, Lucas Mineiros, Luis Sapo, Ricardo Treta e mais uma centena deles. Eu arbitrei para quase todos que estão em eventos internacionais e que ainda vão estar".

http://portaldovaletudo.com.br/br/novidades/item/2727-robert%C3%A3o-thomaz-%C3%A1rbitro-das-mais-de-1000-lutas-fala-de-seus-bord%C3%B5es-e-analisa-parceiros-de-trabalho.html

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