CALBAIANO

Ansiosos para testar novas regras do Judô

Recommended Posts

Ansiosos para testar novas regras, judocas apostam em mais dinamismo

Grand Slam de Paris, neste fim de semana, será a primeira vez que os atletas vão competir depois das mudanças. Pesagem e pegada preocupam

dsc_0185.jpg

De início, a enorme lista de mudanças de regras estipuladas pela Federação Internacional de Judô assustou. Vários detalhes que envolvem a modalidade sofreram modificações e serão testados nesta temporada. Depois do susto, os judocas brasileiros passaram a enxergar pontos positivos nas novidades, apesar de admitirem que será necessário um tempo de adaptação. O primeiro teste será neste fim de semana, no Grand Prix de Paris.

- Estamos muito ansiosos. Nós vimos no papel, mas não vimos nada na prática. Ainda não lutamos com essas regras. Eu acho que o judô vai ficar mais dinâmico e vamos ter mais ippons. Isso vai ser bom para o público – avalia Rafael Silva, medalha de bronze em Londres na categoria acima de 100kg.

As novas leis passarão a valer a partir do Grand Slam de Paris, mas estarão apenas em caráter de teste durante esta temporada para saber quais ficarão de forma definitiva. Entre as novidades, estão alterações na arbitragem, no sistema de pontuação e nos critérios de classificação para os campeonatos mundiais.

Uma das mudanças que mais preocupa os judocas brasileiros é a proibição de romper a pegada do adversário com as duas mãos. Agora, quem fizer isso sofrerá uma penalidade.

- Tirar a pegada com uma mão só complicou um pouquinho. Quando a gente está competindo, a disputa pela melhor pegada é o mais importante. Mas acho que é questão de adaptação. Isso vai fazer ficar mais dinâmico. Acho que vão sair mais golpes. Por esse lado, é muito bom - avaliou Ketleyn Quados (até 57 kg).

Essa diferença na regra da pegada também preocupa Luciano Corrêa. Acostumado a utilizar as duas mãos, o campeão mundial sabe que terá desvantagem em relação aos que já utilizam apenas uma.

- Tem alguns atletas que usavam as duas mãos, outros já usavam uma só. Esses não vão ter dificuldade. Eu tirava com as duas mãos, então acho que vou sentir um pouco. Mas já estou treinando desde o fim do ano passado isso. Essas mudanças acho que vão deixar o judô mais dinâmico. A pontuação vai sair mais fácil, acho que vão sair mais golpes e vai ficar mais atrativo. O público vai conseguir entender melhor o que está acontecendo.

masashiebinuma_chojun-ho_bandeirasbrancas_reu.jpg

Pesagem no dia anterior

A nova forma de pesagem também pode fazer diferença na hora da luta, principalmente nas categorias mais leves. Até o ano passado, os atletas eram pesados horas antes da competição. Agora, a medição será no dia anterior, à noite.

- O que vou sentir mais vai ser o lance da pesagem. Um esporte que trabalha com limite de categoria deveria ter a pesagem o mais perto possível da luta. Isso favorece quem não é regular no peso – avaliou o ligeiro Felipe Kitadai, medalhista de bronze em Londres.

jud_felipekitadai_lutabronze_afp_95.jpg

O coordenador técnico da seleção brasileira, Ney Wilson, também é contra a mudança do dia da pesagem. Segundo o treinador, o Brasil será prejudicado com esta mudança.

- Nós somos um dos poucos países que trabalha muito bem essa questão do peso, somos usados como exemplo para os outros. Não tenho dúvidas de que isso (pesagem na véspera) é muito ruim para a saúde do atleta. Não existe comparar o judô com o MMA. É completamente diferente. No MMA, os atletas fazem duas ou, no máximo, três lutas ao ano. No judô, são 26 competições na temporada e em cada uma delas o atleta faz quatro, cinco ou até seis lutas no mesmo dia.

Apenas um árbitro no tatame

A diminuição no número de juizes no tatame é mais uma novidade. A arbitragem será feita por apenas um árbitro dentro da área de combate. Ele será auxiliado por outros dois que estarão no vídeo replay e se comunicarão através de um rádio transmissor.

- Eu gostei disso. Acho que é uma melhora. Dentro do tatame vai ser um só, mas os outros vão continuar existindo, nas laterais, assistindo aos vídeos. Poder ver o replay, em câmera lenta, vai tornar a luta mais justa - opinou Rafael Silva.

lucianocorrea_fotocom_marciorodrigues.jpg

A tecnologia já vem ganhando espaço no judô nos últimos anos. Agora, isso será mais intensificado com os dois árbitros conferindo durante todo o tempo os golpes pelo vídeo. Enquanto em alguns esportes, como o futebol, o uso de novas ferramentas nem sempre é bem aceito, no tatame, é encarado como peça importante na definição de resultados difíceis.

- Antes era só um coordenador no vídeo. Agora vai ter um em cada área. Então, acho que vão errar menos. No judô, sou a favor do vídeo replay. É um esporte muito rápido e, em alguns lances, não dá para ver direito. Podendo ver o vídeo depois, o resultado será mais certo, mais justo – disse Luciano Corrêa, da categoria até 100 kg.

Durante as lutas, as punições a um atleta não vão valer pontos para o oponente. Anteriormente, duas advertências (shidos) rendiam um yuko ao adversário, mas, com as novas regras, esse sistema está abolido. Um judoca poderá sofrer um máximo de três advertências, que não serão transformados em pontos contra ele. Porém, na quarta advertência, o atleta sofre um hansoku-make e é desclassificado. Os shidos também valerão como critério de desempate; quem tiver menos em caso de placar igual vence a luta.

Outras mudanças são: golden score sem limite de tempo, configuração do ippon (pontuação máxima) de forma mais rigorosa, fim da decisão dos juízes na bandeira e imobilização valendo contagem regressiva caso comece dentro da área de combate e termine fora dela.

Em campeonatos mundiais, um país só poderá levar um máximo de nove atletas no masculino e nove no feminino. Além disso, há um limite de dois judocas por categoria.

Share this post


Link to post
Share on other sites

Também quero ver essas mudancas na prática.

Uma das coisas que vejo de forma muito negativa é a pesagem no dia anterior, isso é muito prejudicial para o atleta e deixa um grande desnível na hora da luta. Está certo que isso nao é garantia de que o mais pesado irá ganhar sempre, mas ele sai um passo a frente.

(o Gleidson Tibau nao é campeão do UFC mesmo sendo o recordista em recuperação de peso)

A pesagem no dia anterior é errada, só isso.

Por vários motivos e quem argumentar a favor deve ter subsídios para agitar isso.

Share this post


Link to post
Share on other sites

Ta só um pouco atrasado a noticia pois ja aconteceu o Gran Slam de Paris e ja aconteceu o de Dusseldorf.

9e10/02/2013 Grand Slam de Paris

23e24/02/2013 Grand Slam de Dusseldorf.

Quanto as regras a que mais da pra perceber é a troca de pegadas que antes era

constante agora com essa proibição de estourar a pegadas com as duas mãos da um

volume maior para as lutas outra regra relativa as pegadas que davam maior vantagem

ao adversario que tinha até 5 segundos para atacar agora é obrigado a atacar direto

se fizer esse tipo de pegada e não atacar direto é punição na hora.

Edited by duduceolim

Share this post


Link to post
Share on other sites

Vamos aguardar.essa pesagem antes pra mim também nao é boa coisa.

De resto gostei.

Share this post


Link to post
Share on other sites

É complicado pra quem não está no meio, que nem eu, opinar mas dá pra ver coisa boa e coisa ruim nisso aí.

A questão do critério de Ippon é a melhor mudança. Aparentemente, acabou os Ippons onde a queda não é perfeita mas quem fez o arremesso simplesmente da aquela "rolada" pra fazer o adversário terminar de costas pro chão e ganhar o Ippon.

O fato de não parar a contagem da imobilização quando o oponente sai da área de luta é uma boa mudança também. Acaba com as fugas pra fora.

O que não foi citado nessa reportagem, e que é a pior mudança que fizeram é que agora é oficialmente proibido tocar com a mão abaixo da linha da faixa, ou seja, acabou com os ataques e defesas contra as pernas.

Ano passado já era proibido atacar contra as pernas (double leg, single leg, Kata Guruma, Te Guruma, etc) mas pelo menos era possível fazer um ataque desses em sequencia a um ataque válido que não foi efetivo ou fazer um ataque desses como contra-ataque. Agora não pode mais. Colocou a mão na calça do adversário = perdeu a luta.

Basicamente, a opinião de todo mundo que pensa fora da esfera puramente esportiva odiou essas mudanças.

Outra merda de mudança é ter que atacar de imediato quando você faz duas pegadas do mesmo lado. Não dá nem pra preparar um arremesso.

Sem falar na pesagem no dia anterior. Coisa muito boa pra quem corta muito peso.

Isso tudo pode até atrair mais gente pra assistir, mas afasta gente que gostaria de treinar.

Judo é praticamente esporte puro e zero arte marcial.

Edited by rider

Share this post


Link to post
Share on other sites

Create an account or sign in to comment

You need to be a member in order to leave a comment

Create an account

Sign up for a new account in our community. It's easy!

Register a new account

Sign in

Already have an account? Sign in here.

Sign In Now