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Hillary

O Poder de "Por que?"

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Oi pessoal, tudo bem? Escrevi esse blog ano passado pelo um patrocinador, mas um amigo meu pediu pra eu traduzir e acabei com a ideia de jogar aqui também. A galera das antigas provavelmente vai achar um pensamento normal, mas talvez é bom pros brancas e azuis perder a vergonha de perguntar e aprender. :)

Desculpe o abuso da linguá portuguesa, ficam a vontade pra me corrigir!

"Robertinho, por que você cruza seus pés dessa maneira?" Eu perguntei timidamente enquanto a aula dispersou para fazer as entradas do triângulo. Além de ser uma das pessoas mais querido por mim nesse mundo, o bicho de 100 kg famoso pelo joelho no pescoço me intimida pra caramba, especialmente quando quero perguntar por que ele faz algo no Jiu de uma forma diferente do que eu. Com toda honestidade, era um detalhe tão pequeno que eu duvido que ele já deu um segundo de pensamento pra isso. Ele pausou, pensou, e disse: "Eu não sei", e me perguntou como - e porque - eu fiz de meu jeito. Cyborg ponderou o meu raciocínio, parou a aula, mostrou a entrada novamente com o meu detalhe, e continuou a aula.

Por favor, não leia aquele parágrafo e tirar uma mensagem do tipo: "Hillary > Cyborg." Ele me bate mais do que um saco de porrada, e, em geral, enquanto sorrindo, rindo, e/ou manter uma conversa com alguém de fora. Aqui está a prova na imagem, eu sou o borrão e, infelizmente, não, esta foto não foi planejado.

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O que é importante é a pergunta, ou seja, a ação de perguntar.

O outro dia eu estava passando um triângulo e eu perguntei pra aula o que era o próximo passo. O tatame cheio de faixa branca mais experientes, faixas azuis, e um marrom parecia cantar em coro: "Cruza o braço pro outro lado!" "Por que," eu perguntei, dando a faixa marrom de um olhar de "fique quieto". Aha, grilos. Ninguém me explicou porque o meu adversário estava bloqueando o meu movimento do quadril e defendendo uma posição de estrangulamento bem mais justo, eles somente sabiam o que responder por que foram falados isso tantas vezes pelos professores.

Lembra quando você era criança e você perguntou "por que" a seus pais a cada três segundos, e muitas vezes em conjunto irritante? Pois é, nem eu, porque eu era uma criança. Mas é assim que aprendemos a compreender o mundo. Enquanto que envelhecemos, a familiaridade substitui novidade, e desaparece a nossa curiosidade. Demora muito tempo e muito esforço para lembrar "o por que", simplesmente seguimos em frente e aceitamos tudo pelo valor de face, aceitamos fato porque é isso que o especialista nos disse.

Já apanhei dos melhores lutadores do mundo, e tudo se resume a compreensão deles de Jiu Jitsu. Não que eles sabem Jiu Jitsu, um faixa azul sabe Jiu Jitsu. Eles entendem. Eles compreendem. O Cyborg entende Jiu Jitsu. Faço perguntas pra ele diariamente, focando nos pequenos detalhes que eu nunca vi ou que eu não entendo por que ele faz. Exceto o exemplo refecida no primeiro parágrafo, ele sempre me dá uma resposta que faz todo sentido. "Sem isso, você não será capaz de escapar de seus quadris", ou "Se você esquecer disso, ele pode levar a cabeça para fora." E ainda assim, eu assisto faixas azuis calmamente tentando fazer a guarda de tornado (que, na minha opinião completamente falsificada, é de Diabo e para discriminar as pessoas não flexíveis como eu) sem pedir um "porquê?" ou "como?"

Com compreensão vem criatividade. Quando você realmente entende todos os detalhes sobre o armlock, por acaso, da guarda fechada, o armlock aparece em todos os lugares sem você forçar nem procurar. Tecnicas e golpes começam a aparece que você nunca aprendeu e provavelmente nunca existiu ... bem, para você, pelo menos. Eu consigo "encontrar" os meus melhores partes do meu jogo. Aparece triângulos pra mim de posições que nunca imaginei. Isso porque eu compreendo o triangulo (pode ser a unica parte boa do meu jogo). As partes do meu jogo que ainda não fazem muito sentido, bem, eu tenho sorte, se eu forço e practico ... mas eu não "encontro" elas durante um treino. Em um nível alto, o Jiu Jitsu não é uma regurgitação de técnicas linearmente relacionado com o desejo do seu instrutor para ensinar-los. É dependente da sua capacidade de analisar as partes de cada movimento e recombinar-los para lidar com qualquer situação nova que você pode encontrar. É através isso que vem a beleza da sua, do nossa, esporte. Jiu Jitsu de verdade se vê nesses poucos mestres de Jiu Jitsu que realmente compreender a arte que praticam. Eu não estou lá ainda, quem sabe se eu nunca conseguir, mas o caminho é o que vale.

Bons treinos e muito curiosidade pro todos!

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Boa Hillary! É bem por aí mesmo.

Muita gente faz mas poucos compreendem o porque estão fazendo. Confesso que depois desses anos treinando estou começando a entender as algumas coisas, as realmente as coisas vão se encaixando.

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Boa Hillary! É bem por aí mesmo.

Muita gente faz mas poucos compreendem o porque estão fazendo. Confesso que depois desses anos treinando estou começando a entender as algumas coisas, as realmente as coisas vão se encaixando.

Realmente, eu estou nesse estagio de entender o porque as coisas! As vezes é como o professor diz: pergunte porque sua duvida pode ser a de vários!

E ai PedrãoJJ Você é da Alliance - Adriano Pires? Abraços!

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Helio Gracie discorda:

PLAYBOY - Que tipo de aluno dá mais trabalho para treinar?

GRACIE - O aluno inteligente, sem dúvida nenhuma.

PLAYBOY - Por quê?

GRACIE - Porque o aluno inteligente cisma de ficar pensando antes de fazer o golpe. Com essa preocupação, acaba ocupando o inconsciente, e isso não funciona. Quero dar ao aluno bons reflexos. O metido a esperto quer entender o que está fazendo e isso atrapalha o seu reflexo. No dia em que ele achar que entendeu, vai querer fazer como vê, não como ensinei. Quer dizer, vai fazer tudo errado. Uma criança, uma moça, um burro vai aprender mais depressa do que o inteligente. A criança vai lá e faz, não fica questionando.

PLAYBOY - Então, para ser bom lutador de jiu-jítsu tem de ser burro?

GRACIE - Não é isso. [bravo.] A aprendizagem do jiu-jítsu é um processo para o subconsciente, não para o consciente. Não ensino para o aluno aprender, mas para que ele execute. Essa é a diferença. Se ensino alguma coisa para uma pessoa inteligente, ela aprende rápido porque guarda na memória. Mas no jiu-jítsu o bom aluno tem de saber agir na surpresa. Se parar para buscar o que aprendeu na memória, está perdido. Não se trata de decorar movimentos, mas de ter o reflexo certo na hora em que a agressão acontece. E a agressão sempre acontece de surpresa.

PLAYBOY ± Como o senhor resolve esse tipo de impasse? Quero dizer, como ensina o aluno inteligente?

GRACIE ± Tenho de mostrar na prática que a força e a inteligência dele não servem para nada. Tenho de botar logo o sujeito no chão parafazê-lo entender que é melhor fazer o que estou mandando, sem parar para pensar.

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O Helio também achava que mulher não deve treinar, que mulher deve ficar em casa. Mestre, ele era. Correto todas as vezes? Ninguém é. Esse metodo dele serve pra alguns, enquanto que seria uma merda pros alguns outros. E vice versa com o meu.

Edited by Hillary

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O Helio também achava que mulher não deve treinar. Mestre, ele era. Correto todas as vezes? Ninguém é.

Verdade e por um azar ou sorte , mas enfim uma queimada de língua um dos membros da família Gracie que leva o nome deles ainda longe é a Kyra Gracie! Irônico!

Porem acho que saber o porque você encaixa mais o quadril perto do oponente por exemplo para entender que é para dar mais alavanca ao armlock é uma coisa, agora ficar debatendo ou questionando seu mestre toda hora demasiadamente é extremamente incorreto. ai concordo com mestre Hélio...porque se for para você ficar toda hora perguntando porque não haveria a necessidade de hierarquia ...de ter um mestre ensinando, você faz do jeito que acha que é certo (o inteligente) e executa errado!

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Tony, não exagera. Concordo que não deve ficar perguntando toda hora, e nem sempre pro mestre também. Eu perguntei porque eu tenho um mestre que não é tão fechado, que gosta de ensinar, e por que sou preta. De branca a marrom eu perguntava amigos da academia mais graduados, professores, e tal. Não foi toda hora, eu escuto e faço do jeito que eles ensinam, simplesmente perguntando "por que" com algumas detalhes.

Por exemplo: No armlock da guarda, quem só escute como burro não vai entender por que fechar o pantorrilha em volta da cabeça. Se ele encaixar o do montada mas o professor nunca passou, e o cara vem pra cima, se ele não entende que é para quebrar a postura, vai perder o armlock.

Odeio burro. Gosto de ensinar outros a aprender. Aluno fiel mas com curiosidade é o melhor na minha opinião, mas eu sei que cada professor e mestre gosta do tipo que gosta. Sendo que ninguém aprende da mesma forma, acho que nós dois podemos ser corretos.

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Vou me colocar como iniciante.

NUNCA questiono o porquê fazer tal tipo de movimento de uma determinada maneira, afinal se um faixa preta me diz isso, eu tenho que respeitar.

Mas, sempre tiro muitas dúvidas, sobre alguma variação, o que poderia acontecer caso aconteça alguma anormalidade no movimento e afins. E eu nesse caso, pergunto pra caralho, afinal meu mestre é meu amigo pessoal, e as vezes pra não atrapalhar a aula, eu guardo na cabeça pra perguntar depois.

Minha curiosidade é enorme, mas ... pra mim falou ta falado, eu só tento executar da melhor maneira possível.

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Também entendo isso...o negócio é virar reflexo primeiro.

E o Hélio tava ensinando um tipo de jiujitsu voltado pra hora que pau cantava...se você se deixa levar por um racionalismo excessivo enquanto executa os golpes, em caso de aperto (porrada na rua por exemplo) em que você fica nervoso e age por instinto (reflexo) se vc não tiver nenhum reflexo ai fica complicado...vai fazer besteira.

Eu penso na hora da posição para não pensar no treino. Pra mim, é o mais certo.

Edited by Hillary

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É o que sempre tento passar para os novatos que passam por mim. Aonde a técnica passada é para ajudar na sua sobrevivência, mas jamais deixe de usar a sua criatividade e espontaneidade.

Mas eu acho importante passar o detalhe de pegadas e pequenos movimentos dentro da tecnica, alem dos motivos das mesmas pegadas, movimentos e posições. Pois fica mais facil do cara entender os motivos e as causas de cada tecnica. Tem muito professor que deixa essas pequenas coisas de lado.

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Ah claro, nisso eu concordo. Mas acho que ele fez um tipo ideal ali do cara que pensa demais, pergunta demais e no final acaba fazendo do jeito que pensou. O Alm pode explicar como eram os treinos com o Hélio e a metodologia do mestre, caso ele apareça ai...

Nunca quis falar que ele faz do jeito que quer. Sempre que pergunto o Cyborg, Roli, ou outros, eu nunca boto a minha opinião lá. Somente por que ele perguntou dessa vez que mostrei a minha opinião. Normalmente ele dá razão e acabou, eu faço daquele jeito só com melhor entendimento.

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Grão-Mestre Helio Gracie merece todo nosso respeito e admiração, mas não concordo com suas palavras nessa entrevista... acho que querer saber o porquê das coisas, ou seja, fazer o movimento de forma consciente é primordial, para aí assim, depois, com muita prática, o processo de execução se torne automático, inconsciente. Isso vale pra qualquer atividade humana em que envolva ensino-aprendizagem.

Mas talvez ele esteja se referindo não do aluno que quer aprender, mas o que quer questionar por fanfarronice, sem objetivo, só pra tumultuar e por em xeque o que o mestre está dizendo.

Edited by RicardoBJJ

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Como disse concordo em perguntar...inclusive referencie o pedraoJJ que por sinal acredito que eu esteja nesse estagio de compreensão da arte, de saber o porque se faz e não o porque tem que fazer! existe uma diferença nisso!

Porem sejamos justos né? contestar o Grão Mestre Hélio? o cara que foi um dos maiores senão o melhor de todos os tempos na arte!!?

Bom isso é um assunto legal, porque a democracia é isso, perguntar, ou acatar, mas enfim o importante e alias acho que o mais importante é se sentir bem onde treina..acredito que academia é que nem igreja as vezes você vai em uma que não te agrada, mas depois você vai na mesma que é a da mesma religião e você adora o lugar...isso se chama ambiente..

Nas academias é a mesma coisa...você vai treinar em uma e tem um monte de panelas e você se sente excluído (exemplo) e ai você visita outra e sente-se bem ali...!!

Pouts sei lá acho que falei demais espero ter transmitido a ideia que tenho! <_<

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Um soco é sempre um soco, incute é sempre um chute. Você pode até mudar uma coisa aqui outra ali, mas a forma de se aplicar o golpe é pre-determinada.

No Jiu Jitsu nao, por isso é uma arte tão fantástica. Existem inúmeros ajustes no triângulo, e a partir do momento que você compreende a mecânica envolvida o movimento assa a ser reflexo, uma vez que além de entendido você tenha realizado muitas repetições. As alavancas, os detalhes do quadril o alinhamento com o adversário, tudo pode ser explicado com base na Física, mas tudo, por isso mesmo, também é muito intuitivo e quando você deixa isso claras coisas ficam mais fáceis.

Não é que o sujeito tenha que ser um Físico para treinar, mas conhecer alguns detalhes de posições e fundamentos simples deixa o Jiu Jitsu mais fluido, fica mais fácil!

É mais ou menos O que penso

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Posso dar um exemplo real? Pega um cara que NUNCA treinou e ensina um arm-lock por exemplo. Não adianta passar todos os detalhes pois o cara não tem idéia do que está fazendo, porém depois que o cara vai evoluindo, já repetiu a mecânica da possição 500 vezes vc vai corrigindo os detalhes e passando mais, e assim ele vai melhorando o golpe até o momento que o cara cria a percepção do que realmente é e como ele pode adapta-lo ao biotipo dele.

Num primeiro momento ele precisa executar sim, sem questionar como o Mestre Hélio falou, porém com o tempo ele vai tendo conhecimento para questionar o por que e melhorar em cima disso.

Eu sempre que possivel pergunto o "por que", mas sempre que é uma coisa nova eu faço muuuuito primeiro e depois sim pergunto.

No final das contas está TODO MUNDO CERTO, basta olhar por outro ponto de vista.

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