Alan.Oliveira 0 Posted January 22, 2011 (edited) Marcelo Alonso, do PVT, fez uma bela matéria sobre o Will Ribeiro, ex-atleta do peso galo, promessa do MMA nacional, que sofreu terrível acidente em 2008. Trancrevo a matéria traduzida e, abaixo dela, o texto em inglês que é destaque no Sherdog. Não deixe de ler, é comovente e aborda a questão sobre o apoio aos atletas de MMA. Will Ribeiro, uma lição de vida Will Ribeiro sempre viveu em meio a um drama. Agora, ele vive numa cadeira de rodas e numa turbulência financeira devido a um acidente que quase o tirou a vida, em dezembro de 2008. Nascido em 17 de fevereiro de 1983, Ribeiro teve infância difícil em Campo Grande, Brasil, um subúrbio do Rio de Janeiro conhecido por suas frutas e gado. Ribeiro e seus três irmãos foram criados por seu avô e mãe, sem nunca ter conhecido seu pai. Essa união familiar foi quebrada há sete anos, quando a mãe de Ribeiro, que era HIV positivo, faleceu. Foi um golpe devastador, mas só reforçou a determinação de Ribeiro e seus irmãos. Vivendo com seu irmão, Wladimir, e a irmã, Natália, o trio partilhou contas domésticas para se manter à tona. A esperança era de que Will, com 20 anos, iria se tornar um lutador de sucesso e tirar a família da falência. O caminho era difícil, mas parecia valer a pena. Will fez parte da equipe de boxe brasileira, surgiu como promessa no peso galo e acabou assinando com o World Extreme Cagefighting, quando a divisão galo decolava. Will levou para o WEC um cartel 9-1 e tinha finalizado ou nocauteado sete de seus adversários. Em sua estréia no WEC em junho de 2008, venceu em decisão dividida o ex-campeão Chase Beebe. Em sua segunda luta, seis meses depois, perdeu para Brian Bowles, sendo finalizado no terceiro round. Sete meses depois, Bowles foi campeão do WEC. Will não voltou dos EUA com uma vitória, mas voltou com um presente para seu amigo e parceiro de treino, Marcio Marreta: as luvas que usava quando lutou contra Bowles noites antes. No entanto, foi no caminho para ver Marreta que a vida Ribeiro deu uma virada trágica. "Como Marcio mora perto, eu coloquei o capacete no braço", lembra Ribeiro. "Foi quando dois táxis vieram apostando corrida na saída do túnel Noel Rosa e bati na traseira de um deles, e fui projetado cerca de três metros contra a beira da calçada, sofrendo traumatismo craniano." "Os médicos disseram que ele teve sorte, que o resgate foi rápido e que a equipe médica estava disponível no Hospital do Andaraí quando ele chegou", diz o irmão mais velho de Wladimir. "Ser um atleta de alto nível, ele estava em boa saúde, era uma fusão de situações que, graças a Deus, deu certo em seu favor." Daquele momento em diante, tanto Will quanto Wladimir seriam lutadores. O trauma do acidente foi significativo. Os cirurgiões tiveram que retirar parte do cérebro do Will, bem como 30 por cento de seu crânio no lado direito. Ele continua a usar bonés de beisebol para mascarar o dano. Foi tão esmagada essa porção de seu crânio que um fragmento ósseo cavou seu olho direito, deixando Ribeiro quase cego desse lado. A maior parte do lado direito do seu corpo permanece dormente e parcialmente paralisado. Uma prótese de silicone foi produzida especialmente para Ribeiro e será inserido durante uma cranioplastia próxima. Existe ainda alguma esperança de que os médicos serão capazes de ajudar Ribeiro a recuperar alguma visão em seu olho direito. Enquanto Ribeiro, agora confinado a uma cadeira de rodas, sofre com as longas e árduas horas de reabilitação, Wladimir tem dedicado sua vida à recuperação de seu irmão. Nenhum deles tem qualquer tipo de seguro médico. "Eu faço 300 dólares em um mês com meu trabalho, e minha irmã Natalia tem apenas um emprego em meio-período, o que lhe dá 230 dólares", diz Wladimir. Outra peça fundamental na recuperação de Will Ribeiro é André Pederneiras. O líder da Nova União promove o Shooto Brasil, viu a ascensão de Will em seus shows e tem continuado a doar os lucros dos eventos Shooto Brasil para sua recuperação. "André Pederneiras tem nos ajudado muito. Sem ele, realmente, a nossa vida seria mil vezes pior. Graças a ele, somos capazes de sobreviver.", diz Ribeiro. Dois anos após o acidente, Ribeiro ainda se esforça para falar. No entanto, a emoção quando fala de Pederneiras é clara. "Hoje, graças a André Pederneiras, eu tenho dignidade e respeito. Ele sempre me ajudou desde o início, sempre fez tudo por mim, sempre esteve ao meu lado, nunca me deixou", acrescenta. "Sou eternamente grato por tudo que ele faz para mim. Ele se tornou um pai que nunca tive." "Will foi trazido à minha academia pelo mestre Luiz Alves, para treinar MMA, há cerca de três anos atrás. Ele é um cara tão legal que rapidamente fez amizade com todo mundo", lembra Pederneiras. O cabeça da Nova União é rápido para minimizar as suas obras de caridade. "Sobre o quanto e porque eu o ajudei, eu prefiro não comentar sobre isso. Eu só fiz o que acho que poderia fazer por ele ", acrescenta Pederneiras. No entanto, Pederneiras faz compartilhar um pensamento que é difícil de apreciar sem compreender a pobreza em que muitos lutadores brasileiros de MMA estão atolados. É comum que lutadores locais andem de moto, especialmente porque muitos deles fazem rendimentos modestos como motoboys para completar suas escassas bolsas de luta. "Um atleta não pode andar de moto", explica Pederneiras. "Eu sei que é difícil, pois a maioria deles não faz o dinheiro suficiente para comprar um carro, mas eu realmente acho que é melhor pegar um ônibus." Ninguém perto de Ribeiro tem qualquer crença de que ele possa lutar novamente, sua condição simplesmente não permitiria isso. No entanto, eles permanecem esperançosos que ele possa voltar ao mundo das lutas. "Os médicos disseram que ele nunca irá lutar de novo, ele não pode tomar mais golpes na cabeça e também perdeu um pouco de massa encefálica, o que dificulta seus movimentos. Metade de seu corpo é parcialmente paralisada", diz Wladimir. "Nossa luta diária é na fisioterapia, onde meu irmão tenta mover a perna e, pelo menos, ser capaz de andar novamente, para ter a sua vida cotidiana e ser capaz de voltar a dar aulas de boxe." Esse sonho vem lentamente sendo realizado. Wladimir encontrou, em um evento do Shooto Brasil, Ivan Blaz, um capitão do Batalhão de Operações Especiais (BOPE). Ivan foi tocado pela história de sofrimento da família Ribeiro. Blaz viu a fisioterapia de Will e pensou que o ex-destaque do peso galo ainda poderia oferecer algo como um instrutor. "Blaz tem um projeto social dentro da sede da polícia, especialmente para as crianças mais pobres. Will vai lá duas vezes por semana com dois outros instrutores para dar aulas de boxe", diz Wladimir. "Will é um grande exemplo para todos com algum preconceito contra cadeirantes. Ganhamos uma batalha a cada dia, passo a passo." Dado o crescimento do MMA, Wladimir tem esperança de que a história do seu irmão impeça o infortúnio futuro para os atletas em situações semelhantes. "Com o nível que o MMA tem hoje, eu acredito que os eventos devem ter uma forma de monitorar e criar um tipo de união de lutadores de MMA, ou algo que permita que os atletas tenham um plano de saúde, ou algo para dar-lhes uma qualidade de vida decente quando se aposentarem ", diz Wladimir. "Afinal, esses caras são as estrelas do evento. Graças a eles, o MMA é tão bem-sucedido hoje." "Qual será a vida dos atletas que tem se dedicado a este esporte, mas não conseguem ganhar dinheiro suficiente para um futuro digno?", pergunta ele. A tragédia de Will, sem dúvida, força muitos a refletirem sobre esse esporte e os sobre os atletas que são deixados para trás em meio à celebração do seu crescimento incessante. Ah, o texto em inglês: Wil Ribeiro, a life lesson Will Ribeiro has always lived amidst drama. Now, he lives in a wheelchair and financial turmoil stemming from the December 2008 motorcycle accident that nearly took his life. Born Feb. 17, 1983, Ribeiro grew up struggling in Campo Grande, Brazil, a suburb of Rio de Janeiro known for its fruit and livestock. Ribeiro and his three siblings were raised by his grandfather and mother, never having known their father. That tight-knit family was fractured seven years ago, when Ribeiro’s mother, who was HIV positive, passed away. It was a devastating but only strengthened the resolve of Ribeiro and his siblings. Living with his brother, Wladimir, and sister, Natalia, the trio shared household bills to stay afloat. The hope was that the 20-year-old Ribeiro would go on to become a successful prizefighter and deliver the family from insolvency. It was a difficult road, but it seemed to pay off. Ribeiro made the Brazilian national boxing team, emerged as a top bantamweight prospect in Brazil and eventually signed with World Extreme Cagefighting just as the 135-pound division was taking off. Ribeiro carried a 9-1 record into WEC and had stopped seven of his opponents. In his WEC debut in June 2008, he won a split decision over former champion Chase Beebe. In his second bout six months later, he fell short against Brian Bowles, as he was submitted in the third round. Seven months later, Bowles was WEC champion himself. Ribeiro did not come back from U.S. with a victory, but he did return with a gift for his friend and training partner, Marcio Marreta: the gloves he wore when he fought Bowles just nights before. However, it was on the way to see Marreta that Ribeiro’s life took a shocking turn. “Since Marcio lives near, I just took my helmet on my arm,†recalls Ribeiro. “That’s when two taxis came racing at the exit of the Noel Rosa tunnel and I crashed. I ran into the back of one, and was projected about three feet to the edge of the sidewalk, suffering head trauma.†“The doctors said he was lucky that the rescue was quick and that the medical team was available at the Andarai Hospital when he arrived,†says older brother Wladimir. “Being a top athlete, he was in good health; it was a fusion of situations that, thanks to God, worked out in his favor.†From that moment on, both Ribeiro and Wladimir were fighters. The trauma from the accident was significant. Surgeons had to remove part of Ribeiro’s brain, as well as 30 percent of his skull on the right side. He continues to wear baseball caps to mask the damage. So crushed was that portion of his skull that a bone fragment dug into his right eye, leaving Ribeiro nearly blind on that side. Most of the right side of his body remains numb and partially paralyzed. A silicon prosthesis has been produced specially for Ribeiro and will be inserted during a forthcoming cranioplasty. There is also some hope that doctors will be able to help Ribeiro recover some vision in his right eye. As Ribeiro, now confined to a wheelchair, suffers through the long, arduous hours of rehabilitation, Wladimir has dedicated his life to his brother’s recovery. Neither of them has any kind of medical insurance. http://www.sherdog.com/news/articles/Will-...fe-Lesson-29543 Edited January 22, 2011 by Alan.Oliveira Share this post Link to post Share on other sites
Cipó Muay Thai 0 Posted January 22, 2011 Ele é um cara realmente foda, que bom no bom todo mundo é bom, agora bom no ruim, aí são poucos! Realmente o problema de atletas em esportes perigosos é uma real, na Argentina já soube de um jogador que quebrou o pescoço e tá o rolo a vários anos. No caso dos artistas também tem esse problema, agora fundaram uma associação ou algo do tipo para o pessoal da velha guarda. Com lutadores também deveria ser feito algo, tipo um seguro de vida, coletivo. Pena que no momento não tem nada nesse sentido no Brasil, todo evento meu fico rezando pra ninguém ter lesões permanentes, tem médico tem UTI móvel, mas porra uma fratura de pescoço ou um coágulo na cabeça é um negócio foda, espero um dia que o RFC tenha condições de fazer exames mais completos como tomografia em todos os lutadores, é uma segurança e tanto a mais... Share this post Link to post Share on other sites
thomaz.andrade 0 Posted January 22, 2011 Boa matéria, parabéns ao Alonso. E parabéns ao Dedé pela postura de ajudar! Share this post Link to post Share on other sites
dfalsarella 0 Posted January 22, 2011 Marcelo Alonso Parabéns pela ótima matéria. Share this post Link to post Share on other sites
kareka 0 Posted January 22, 2011 Perfect a entrevista lembrado como sempre Will liçao de vida Share this post Link to post Share on other sites
Rubensjhr 0 Posted January 22, 2011 grande matéria! Dedé é foda. :lol: Share this post Link to post Share on other sites
Edgard 0 Posted January 22, 2011 Parabéns ao Marcelo e principalmente ao Dedé, que cada dia nos impressiona com o tamanho de seu caráter! Share this post Link to post Share on other sites
johngrungeman 0 Posted January 22, 2011 Will lutava muito era bem solto e sempre fazia lutas duras perdeu pro Bowles q era top contender mas mesmo assim fez uma luta boa. Desejo tudo de bom para esse guerreiro! Share this post Link to post Share on other sites
kill bill 0 Posted January 22, 2011 Muito foda a situação. Força para o Will e parabéns para o André Pederneiras, figura que demonstra ser realmente do bem. Share this post Link to post Share on other sites
Fredd Fontes 0 Posted January 22, 2011 Hoje como esta na merda ninguem mais lembra do cara.....força Will, vc é foda brother! Força e Honra! Share this post Link to post Share on other sites
Paulo Borracha 0 Posted January 22, 2011 ótima a matéria do Alonso, bem redigida e falando de um combatente que nunca se furtou de combater o bom combate, sério compenetrado e dedicado nos rings, era uma máquina de disposição e técnica indo sempre pra frente, espero que um dia se recuper, o que não falta são amigso rezando e o ajudando fisicamente em todos os campos para isso, fora dos rings, uma moleke cheio de vida e sempre de bom humor angariando sempre mais amigos e carisma, nosso mestre Luis Alves com certeza esta olhando por ele, e eu no que estiver ao meu alcamçe e o seu irmão pedir procurarei sempre estar pronto para ajuda. VAmos lá Wil, ainda temos muita luta pela frente e sei que vc não corre delas ossss... tô contigo irmão Share this post Link to post Share on other sites