Fonte: Jornal Zero Hora:
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Denúncia de racismo e tiros
Faixa com rosto de Everaldo teria provocado briga de torcida
Na raiz da briga de domingo à noite entre as torcidas Geral e Máfia Tricolor, que acabou em tiros e com dois torcedores baleados nas imediações do Olímpico, está uma denúncia de racismo e a divisão da Geral do Grêmio, ocorrida pouco antes da eleição presidencial do clube, em outubro. – Nem imagino o que seja essa GAS. Posso garantir que a Geral conta com muitos negros e mulheres. E, certamente, deve ter homossexuais também. Quanto às faixas, a responsabilidade pela colocação no estádio é da Brigada Militar (a polícia é quem fiscaliza a colocação) – responde um membro da Geral, que pede para não ser identificado. O conflito deixou como vítimas os torcedores Lucas Pereira Balardin, 19 anos, e Marçal Soares dos Santos, 30. O primeiro, atingido na cabeça, encontra-se em estado grave. Estudante de Sociologia na UFRGS, Marçal, baleado no abdôme, apresentava ontem sinais de melhora e havia conversado com familiares. Ambos estão no HPS, onde devem prestar depoimento hoje caso melhorem.
A ala dissidente da Geral hoje integra a Máfia, identificada na eleição com o candidato vencedor, Duda Kroeff. Mesmo tendo apoiado Antônio Vicente Martins, candidato derrotado, a Geral diz manter boa relação com a nova direção.
– Uma das facções deles é a Geral Ataque Surpresa (GAS). Eles não gostam de negros, homossexuais e mulheres. Contaram com o apoio da Torcida Jovem e da torcida do Coritiba para nos agredir. Tentaram impedir que colocássemos uma faixa em homenagem a Everaldo por ser negro – denuncia Ricardo, um dos integrantes da Máfia.
Ricardo pede para ter o sobrenome preservado – receia represálias. Ele reclama que, após a tentativa de invasão da sede da torcida, não poderá seguir o trabalho com 17 crianças carentes.
Conforme Ricardo e Fábio, outro integrante da Máfia que pede para ter o sobrenome omitido, o tumulto começou minutos após o jogo. Quando deixavam sua sala, localizada na parte superior de uma funerária, na Avenida Carlos Barbosa, teriam entrado em conflito com membros da Geral, que os esperavam.
Depois de ser interrompida pela Brigada Militar, a briga se reiniciou e se estendeu da Carlos Barbosa até a Avenida José de Alencar. Ali, em frente a um minimercado, nas proximidades do pórtico de entrada do Olímpico, ocorreram os disparos.
– Primeiro, um deles deu tiros para o alto, para dispersar. Depois, um segundo cara tomou a arma dele e disse que ia nos dar uma lição. Atingiu um no estômago e outro na cabeça. Foi tudo à queima-roupa – contou um membro da Máfia.
Habituadas com brigas entre torcedores, pessoas que moram nas imediações se disseram espantadas, desta vez, com a dimensão da baderna. Relatam ter presenciado até tentativa de atropelamento.
