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UFC 64: Anderson Silva, de zebra desconhecida a novo rei do Ultimate

#1 Membro offline   Fabri 

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Postou 14 February 2017 - 11:59 AM

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UFC 64: De zebra desconhecida a novo rei do UFC

Os bastidores do UFC 64, evento no qual Anderson Silva, até então desconhecido dos americanos, nocauteou o campeão e ídolo Rich Franklin e iniciou seu reinado. E a histórica comemoração com os ídolos do BOPE.

De fato é impressionante o impacto que uma luta de Anderson Silva causa no noticiário brasileiro. O Spider tem a capacidade de fazer os principais veículos jornalísticos de TV e impressos darem ao MMA quase o mesmo destaque que a maior paixão nacional, o futebol. Te sido assim desde aquela consagradora pedalada em Vitor Belfort. Desde então basta o Spider entrar em ação para os brasileiros virarem aficionados no MMA. E quando o brasileiro termina a luta com o braço levantado, como neste confronto contra Derek Brunson, aí a comoção costuma se estender por mais uma semana.

Pessoalmente me sinto ainda mais feliz por ter acompanhado toda a carreira deste gênio e, principalmente, por ter tido a honra de acompanhar de perto o dia em que ele conquistou o cinturão chegando na arena desacreditado, talvez por ser totalmente desconhecido do publico americano.

Cheguei no hotel Mandalay Bay no dia 12 de outubro de 2006, uma semana antes do Pride, e dei a sorte de encontrar no lobby do hotel com toda a trupe de Anderson Silva: Joinha, Giorge, Diógenes Asahida, Madison Ramos, Ed Soares. Totalmente desconhecido naquela época, Anderson fazia uma de suas performances enquanto os companheiros morriam de rir...

Sem o assédio de fãs nem imprensa e totalmente à vontade com os amigos, Anderson fez um verdadeiro stand up durante o almoço matando todo mundo de rir com suas imitações impagáveis de Ninja, Joinha, Chuck Liddel, Rudimar, Rafael Cordeiro etc.

A convite de Anderson acabei ficando no quarto com seus treinadores Diógenes e Madison, o que me possibilitou acompanhar de perto todos os detalhes daquele que seria o começo da carreira do maior campeão da história do UFC.

Mesmo conhecendo o potencial de Anderson Silva desde as primeiras lutas no Meca e sabendo que ele crescia nas adversidades, como vi na vez em que ele roubou o cinturão do gangster Lee Murray lhe dando um show de Muay Thai em sua casa e calando a arena Wembley, aquela tranquilidade me impressionava.

Curiosamente no dia antes da luta um americano ligou para o quarto e eu atendi. Era o ex-técnico do Franklin, que acabara de brigar com o atleta, querendo que eu traduzisse para o brasileiro o que ele tinha a dizer. Lembro que Giorge Martins, braço direito do campeão imediatamente me pediu para dizer que o Anderson agradecia, mas não tinha interesse, uma vez que já tinha uma estratégia traçada.

Pouco antes da luta, Franklin avisou que não evitaria a trocação com o brasileiro, que na época tinha 20 lutas e 4 derrotas, mas admitiu que tinha noção do que estava por vir : “O Anderson será o maior desafio da minha carreira, quem terminar de pé ficará não só com o cinturão, mas também com o título de maior striker da categoria”.

Na apresentação dos lutadores, Franklin mostrou o porquê de sua popularidade. Quando a torcida vaiou Anderson, o professor de matemática pediu que aplaudissem o brasileiro, sendo prontamente atendido.
Com ou sem aplausos, o fato é que o brasileiro estava muito preparado e ciente do que faria. Após breve troca de golpes, Anderson conseguiu clinchar o pescoço do campeão, aplicando uma serie de joelhadas na costela e fígado. Franklin tonteou e Silva definiu. Primeiro uma joelhada que quebrou o nariz do americano e depois uma canelada que o nocauteou.

Enquanto a plateia silenciava diante da queda do ídolo, Anderson chorava de emoção, enquanto sua trupe invadia o octógono fazendo um tremendo carnaval em plena Las Vegas.

“Não sou de chorar, mas quando conquistei esta vitória, lembrei de toda a ralação que passei com os meus treinadores, da batalha diária contra as contusões. Foi demais”, me contou ao sair do ringue.

Após a conquista, foi interessante ver o nascimento do ídolo. Poucas horas após percorrer em poucos minutos o trajeto entre seu quarto no Mandalay e a arena, Anderson demorou quase uma hora para percorrer a mesma distância.

Apesar da repentina popularidade de Anderson, confesso que se alguém me dissesse, em outubro de 2006, que dali a cinco anos estaria em Las Vegas para cobrir um evento estrelado por Anderson Silva (contra Belfort), com a presença de mais de 40 jornalistas da imprensa brasileira, eu certamente imaginaria estar diante de um maluco.


ARANHA NASCIMENTO

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Um ano depois da conquista, em outubro de 2007 Anderson deu a revanche para Rich Franklin no UFC 77 em sua casa, Cinccinati, Ohio. Naquele mês, o filme Tropa de Elite, de José Padilha, havia acabado de explodir, e o campeão, que antes de ser lutador sonhava em ser policial, estava absolutamente fissurado nas frases do Capitão Nascimento, interpretado pelo ator Wagner Moura. A fixação era tanta que Anderson chegava ao ponto de chamar seus filhos pelos números referentes às suas idades: Kauana, 06; Khalil, 08; Gabriel, 09; e Kaori, 011.

Mas o maior exemplo de sua fixação no filme de Padilha viria logo após aplicar mais um nocaute em Franklin. Quando o entrevistador lhe perguntou sobre a emoção de seu 3º nocaute em 3 defesas de cinturão, Silva pegou o microfone e, em pleno octógono, repetiu a famosa frase do Capitão Nascimento em português para o mundo inteiro ouvir: “Nunca serão, jamais serão!”

O tradutor não entendeu nada e muito menos os americanos que haviam acabado de assistir calados a mais um nocaute do ídolo local, desta vez em sua casa. Mas no quartel general de operações do BOPE no Rio de Janeiro, as palavras do campeão foram mais comemoradas que o próprio nocaute.

Logo após a luta tive a ideia de levar Anderson para conhecer seus heróis. Por radio propus ao campeão a visita, e ele, ainda nos EUA, topou de imediato. O instrutor de lutas do batalhão Felix Mau-Mau fez a ponte e prometeu uma recepção de gala para o campeão.

No dia seguinte a sua chegada no Rio, peguei Anderson e seu faixa preta Dâmaso e partimos rumo ao palácio do vale dos ossos secos (QG do Bope), localizado no alto de um morro no bairro de Laranjeiras.

Ao chegar lá, Anderson foi recebido pelo tenente coronel Pinheiro Neto, o Major Fábio e vários cabos. “Podem pegar a vontade que é nosso, é do Brasil”, disse o campeão, convidando a todos para tirarem uma foto com seu cinturão na entrada do QG.

Ao conhecer as instalações do Bope, o lutador parecia uma criança num parque de diversões. Aproveitando a presença de Anderson, os oficiais o convidaram a assistir uma etapa do famoso curso “faca na caveira” mostrado no filme. Ao assistir uma chamada do capitão em um dos alunos, bem ao estilo capitão Nascimento Anderson pediu para sair. “O negócio é igualzinho ao filme, os caras comem até comida no chão, sinistro, preferi até sair para não ver”, disse na hora.

CHINELADA NOS ASPIRAS

No fim do tour Anderson foi conhecer o dojo do Bope e ao ver a imagem dos irmãos Nogueira pintada na parede da academia ficou sabendo pelo cabo Felix que os irmãos investiram 7 mil na construção daquele espaço e disse: “Eu também devo muito a estes caras, se não fossem eles talvez tivesse parado de lutar”.

Aproveitando a presença do campeão, o major lhe pediu para dar uma aula de Muay Thai e depois enfileirar os aspiras. Com a guarda baixa, o campeão se limitou a se defender de socos e pontapés dos leigos, sem revidar. “Quem troca soco com um homem desse, vai ter medo de quê?” me disse um dos alunos, realizado após o treino.

No final do aulão, Anderson deixou os alunos tirarem fotos com seu cinturão e acabou levando os oficiais a quebrarem o protocolo: “Militar não pode aplaudir, mas diante desta aula de técnica e humildade, vamos abrir uma exceção com uma salva de palmas ao nosso campeão”, disse o Cabo Hector. Anderson agradeceu: “Na minha casa todo mundo era militar, cresci achando que seria policial, mas Deus me guiou para o mundo das lutas. Para mim foi uma honra vir aqui hoje. Tenho uma grande admiração pelo Bope, não só por causa do filme, mas também pelo livro. Fiquei muito feliz em ver a disciplina e respeito que há entre vocês”.

PASSANDO FEDOR

Após o bate-papo, Anderson ainda jantou no refeitório do batalhão e, para terminar, passou quase uma hora assistindo a um vídeo de uma missão real do Bope no Complexo do Alemão, quando os oficiais tiveram que transpor 9 barricadas: “Meu Deus do céu, a realidade é bem mais sinistra”, reconheceu o campeão.

Saímos do Batalhão quase onze da noite. Anderson parecia uma criança que acabara de visitar a Disneylândia e não falou de outro assunto no percurso entre Laranjeiras e Barra. Até que seu manager Ed Soares o chamou no rádio e o trouxe de volta a realidade: “Você passou o Fedor e agora é o novo Nº 1 do mundo peso por peso de acordo com o ranking do maior site de lutas do mundo, o Sherdog. Estou muito orgulhoso de você”. Anderson agradeceu a ligação: “Que legal, boa notícia” e finalizou voltando a realidade: “Caveira, meu comandante! Missão dada, missão cumprida”.

POR FAVOR, NA CAPA NÃO

De posse de um material tão “filé” como costumamos dizer no jargão jornalístico e totalmente exclusivo, era difícil não imaginar aquela foto que abre esta matéria na capa da edição 141 da TATAME, mas no dia seguinte à reportagem, Anderson, que havia acabado de se mudar para o Rio, me ligou e pediu que não usasse aquela imagem na capa. Tendo em vista o momento delicado que a cidade passava, o campeão temia ser alvo de traficantes por estar vestindo o uniforme de seus maiores inimigos. Naquele momento, quando ainda não existia o projeto das UPP´s e a guerra entre traficantes e policiais estava intensa e com muitas baixas, não tive como não acatar o pedido.


http://portaldovalet...ei-do-ultimate/
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#2 Membro offline   bello28 

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Postou 14 February 2017 - 12:21 PM

tirou o posto do franklin de rei da granja
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#3 Membro offline   Pride Forever 

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Postou 14 February 2017 - 10:03 PM

Ver postbello28, em 14 February 2017 - 12:21 PM, disse:

tirou o posto do franklin de rei da granja

13 Seconds. 12/12/2015
-"Surprise Surprise Motherfuckers The King Is Back."- 20/08/2016


Conor McGregor The King of Ireland.
Chris Weidman The Brazilian Killer.
Luke Rockhold The Best Around.
Gegard "The Dreamcather" Mousasi.
Dan "Hendo" Henderson.
T.J. Dillashaw o antídoto do Barão.

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Fabricio "Vai Burro" Werdum 14/05/2016
Team Nojeira e suas desculpas esfarrapadas.
Anderson Silva a "lenda" fabricada pela mídia.
Wanderlei Silva o próximo Maguila,só fala bobagem.
Erick Silva a eterna promessa.
Pezão Freak se aposenta!
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#4 Membro offline   Timbó 

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Postou 14 February 2017 - 10:39 PM

Zebra desconhecida pro público bem leigo.

Anderson era top 3 da WW na época do Pride, tinha batido Sakurai e Newton.
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