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Em tempos de vacas magras, Brasil é representado por meia dúzia de lutadores no Mundial de Wrestling

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Em tempos de vacas magras, Brasil é representado por meia dúzia de lutadores no Mundial de Wrestling

Giullia Penalber é uma das atletas nacionais no Mundial 2019. (Foto: Alexandre Loureiro/COB)

Alguns tapetes de luta, recursos para despesas administrativas e para enviar alguns atletas a competições no exterior. Não sobrou muito mais do que isso entre os haveres da Confederação Brasileira de Wrestling. Por esse motivo, apenas seis representantes do país vão participar do Mundial de Nur-Sultan, no Cazaquistão, que transcorre do dia 14 ao 22 deste mês, na Barys Arena.

Assim como outras confederações, a CBW perdeu apoio de uma empresa pública, a Caixa Econômica Federal. O banco deu respaldo financeiro à entidade por dez anos. A solução encontrada pelos dirigentes é cortar gastos. Dessa forma, Joílson Júnior, da greco-romana, não foi incluído na relação dos que viajam.

“Deram prioridade para quem medalhou nos Jogos Pan-Americanos. Fico chateado, porque a gente se preparou o ano todo para essas competições. Mas não posso desanimar. Vou investir, do meu próprio bolso, num treinamento no exterior. Irei para Cuba. Como o meu treinador tem umas duas ou três casas lá, eu não gastaria com hospedagem, apenas com passagens e alimentação”, diz o niteroiense de 21 anos, sétimo colocado na categoria até 67kg em Lima. Em 2018, foi reconhecido pelo COB como o melhor do Brasil no wrestling. No ano anterior, fora vice-campeão do Pan da modalidade.

O superintendente Roberto Leitão afirmou que os problemas de Joílson com a balança pesaram na decisão. “Ele já baixou de peso quatro vezes este ano. Esse é um prejuízo grande para o corpo, e fica cada vez mais difícil baixar. Achamos também que este não é o momento ideal para enviá-lo para um Mundial. Às vezes mandamos atletas a competições para que ganhem experiência, mas Joílson já está experiente”.

O lutador do Rio diz que está pesando 75kg no momento. Quando o atual ciclo olímpico se encerrar, ele pretende subir de categoria. Mas tem planos de eliminar esses quilos sobressalentes uma vez mais este ano – disputará os Jogos Mundiais Militares de Wuhan, na China, em outubro. Trata-se de um compromisso que tem, por ser atleta remunerado pela Marinha.

Já Giulia Penalber conquistou bronze em Lima e vai para o Cazaquistão. No entanto, terá que arcar com recursos próprios para comprar as passagens.

Giulia é irmã do judoca Victor Penalber, bronze no Mundial de Astana, a capital cazaque, e no Pan de Toronto, em 2015. Ela também vestia quimono e perseguia glórias sobre o tatame. Em 2009, uma mudança nas regras da Federação Internacional de Judô teve o impacto de um osotogari sobre a jovem praticante da arte de Jigoro Kano. Um de seus principais golpes, a catada de pernas seguida de projeção, foi vetada. Os bons resultados da então adolescente de 17 anos rarearam, o que desinflou sua motivação.

Como já havia sido apresentada ao wrestling por amigos e tinha chegado até a competir, Giulia passou a enxergar com carinho crescente a ancestral modalidade, que remonta à Antiguidade. “Hoje sou apaixonada pelo wrestling. Quando o conheci, senti uma emoção diferente. É muito difícil vencer uma competição, mas é possível, com persistência. Trata-se de um esporte que reflete a própria vida”, filosofa a valente.

Em 2012, quando Giulia começou a treinar wrestling, ela ainda dividia seu tempo entre o tatame e o tapete da luta. No final do ano, mesmo com pouca bagagem de treinos, conseguiu conquistar um bronze no Campeonato Brasileiro adulto. Enxergando a possibilidade de aumentar a coleção de glórias da família Penalber em outra modalidade, focou nos treinos e se consagrou no Pan. “Eu queria muito o ouro, mas foi uma medalha que me emocionou, porque lembrei todas as dificuldades que a gente passa no dia a dia”.

O Mundial de Nur-Sultan classifica os cinco primeiros colocados de cada uma das 18 divisões olímpicas para Tóquio-2020. Os outros cinco representantes do Brasil serão Marat Garipov (até 60kg), Sargis Khachatryan (até 55kg), Kamila Barbosa (até 50kg), Aline Silva (até 76kg) e Lais Nunes (até 62kg).

Lais, do wrestling feminino, é a segunda colocada no ranking mundial e uma das principais apostas de medalha do Brasil no Cazaquistão. “Conquistar a vaga para Tóquio 2020 logo na primeira oportunidade mudaria a preparação e o foco para os Jogos. Cheguei perto da medalha mundial em 2018, mas cada competição é uma competição. Estou tranquila, treinando duro, e vou procurar fazer o melhor dentro do tapete e representar bem o Brasil no Mundial”, afirmou Lais, medalhista de bronze nos Jogos Pan-americanos e quinta colocada no Campeonato Mundial 2018, em entrevista para a assessoria de imprensa da CBW.

 

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