Henry Chinasky

"Esquece cinturão, é pessoal" entrevista com Henry Cejudo

Recommended Posts

Desafiante, Cejudo avalia rivalidade contra Johnson: "Esquece cinturão, é pessoal"

Próximo desafiante ao cinturão dos moscas do UFC, Henry Cejudo carrega uma história marcada por vitórias. No currículo, brilha aos olhos a medalha de ouro conquistada nas Olimpíadas de Pequim 2008, quando o atleta se tornou o mais jovem lutador americano a conseguir tal feito, aos 21 anos de idade. No UFC, Cejudo iniciou sua carreira em dezembro de 2014 e fez a primeira luta pelo título menos de um ano e meio depois, contra o campeão Demetrious Johnson, o revés que mais o incomoda. Quem vê tantas conquistas na trajetória do atual nº 2 do ranking dos moscas, não faz ideia das dificuldades que ele enfrentou pelo caminho.

Em entrevista ao Combate.com, Cejudo contou um pouco sobre sua história na luta, seu "medo" de confrontar um brasileiro e a rivalidade pessoal diante do próximo adversário e atual campeão dos moscas, Demetrious Johnson.

image.jpeg.2024156cbdf0af846e315743e1c27226.jpeg
Henry Cejudo fará luta pelo cinturão em agosto. (Foto: Getty Images)

Henry Cejudo fará luta pelo cinturão em agosto. (Foto: Getty Images)

- Sou um filho de pais imigrantes, meus pais chegaram na América há quase 40 anos. Eu vivi uma vida muito, muito, muito humilde. Pobre. Meu pai foi alcóolatra, minha mãe uma mulher que trabalhava duro e forte. A última vez que eu vi meu pai foi quando eu tinha ainda 5 anos. Quase toda a minha vida eu fiquei sozinho com minha mãe. Eu sou um de sete filhos. A vida foi difícil, quando a gente vem da favela, as coisas são assim. A família ficava sem comer. Pensávamos: o que vamos comer hoje no café da manhã? - desabafou Cejudo.

Quando criança, Henry usava a luta para se defender, tanto dos irmãos quanto dos vizinhos da comunidade onde morava. Aos 11 anos, influenciado por seu irmão mais velho que começou a praticar wrestling na escola, Cejudo passou a frequentar treinos de luta.

- Crescendo na América, sendo filho de pais imigrantes, eu sempre gostava de brigar, sempre gostei de "porrada". Quando eu era criança, lembro que os caras que ficavam no bairro faziam a gente lutar. Eles ficavam bêbados e davam dinheiro pra gente. Se você lutasse, ganhava um picolé. E eu, quando criança, nunca tinha dinheiro. Para mim, o picolé era como uma medalha de ouro. Eu lembro de brigar com gente maior que eu... mas nunca senti que eu perdia. Eu era uma criança do tipo "Denis, o Pimentinha". Na primeira vez que eu vi o wrestling, o professor deu uma medalha para as crianças por lutar. Aquilo não foi por um picolé, foi por uma medalha de ouro. E eu gostei... fiquei apaixonado - explica

 
image.jpeg.94966bf3f7845595ad5913921dcacf3b.jpeg
Aos 21 anos, Cejudo foi o mais jovem lutador americano a conquistar um ouro olímpico no Wrestling (Foto: GettyImages)

Aos 21 anos, Cejudo foi o mais jovem lutador americano a conquistar um ouro olímpico no Wrestling (Foto: GettyImages)

Aos 17 anos, o americano decidiu viver do wrestling, saiu de casa com apenas uma trouxa de roupas e sapatos nas costas, e recorreu ao Comitê Olímpico, onde ficou por menos de um mês. Em 2004, passou a treinar com Patricia Miranda, lutadora americana descendente de brasileiros e medalhista olímpica pelos EUA, no Arizona. A partir desse ponto, Cejudo começou a se dedicar integralmente à carreira de lutador.

- Ela me convidou porque queria um cara que conhecia o estilo tipo japonês, rápido. Uma pessoa que sempre iria derrubar, colocar para baixo. Eu treinei com ela no Arizona, e aí ela me pediu que fosse o parceiro principal em seus treinos para as Olimpíadas. Eu aceitei. Fiz tudo pelo wrestling. Dormia, comia, tudo pensando no wrestling. Treinava quase todos os dias. Acho que o pessoal do Comitê Olímpico achava que eu era maluco. Mas eu não era maluco, era um cara apaixonado pelo esporte, disposto a fazer qualquer coisa. Eu era apenas uma criança, mas quando cheguei, fiquei concentrado, nunca me meti em problemas. Não tive infância, não tive vida por quatro anos.

 

Durante toda sua história na luta, valendo um picolé ou um pódio olímpico, Cejudo sempre limitou suas possibilidades a apenas uma: vencer. E já está claro que seu próximo objetivo é o cinturão. Em agosto deste ano, o lutador volta a enfrentar o único campeão da história da categoria mosca no UFC, Demetrious Johnson. De acordo com Henry, sua preparação para o confronto é muito maior atualmente; a disputa com Johnson ultrapassa a simples pretensão ao cinturão e adentra limites pessoais.

- Eu tenho essa pedra no caminho chamada Demetrious Johnson. E eu quero minha revanche. Penso nele quase todos os dias. Eu sou um cara que gosta de competir, gosta de ver como posso ser o melhor atleta. Espírito, corpo, coração. E esse cara é o melhor do mundo. Eu sinto que lutei com os melhores, Wilson (Reis), Sergio Pettis, (Joesph) Benavidez, e ganhei de todos eles. Só tem uma pessoa que me venceu. Esta luta está guardada para Demetrious. Eu sei que sou forte, mas quero mostrar para ele que eu sou forte. Na primeira vez, ele me venceu e venceu bem. E ele precisa pagar, ele precisa saber que tipo de lutador eu sou. Esquece o cinturão, é um pouquinho mais pessoal - desabafa.

Em junho de 2017, Henry passou uma temporada em Natal para um período de intercâmbio na academia Pitbull Brothers. Após vencer Sergio Pettis em sua última luta, no fim de 2017, o lutador voltou para o Brasil visando se preparar para uma possível luta pelo cinturão. Ciceroneado pelos irmãos potiguares Patrício e Patricky Pitbull, do Bellator, o campeão olímpico está fazendo seu camp no país, aperfeiçoando seu jiu-jítsu com os brasileiros e repassndo suas técnicas de wrestling.

- Quando eu perdi na primeira vez para Demetrious, me perguntaram, "Como você vai ganhar do dele?", e eu respondi, "Só com o tempo". Quando eu lutei contra Demetrious, eu estava no MMA há apenas três anos, não sabia muito. E lutei com o melhor do mundo, o melhor da história. Só tinha 10 meses no UFC quando me falaram que queriam que eu lutasse pelo cinturão. Aconteceu o que aconteceu, ele me venceu no primeiro round. Agora me sinto como um lutador diferente. Não quero falar que ganhei confiança, mas agora me sinto mais como lutador do que como wrestler. E aí é perigoso. Porque agora tenho mais que o wresting, tenho potência. Sei jiu-jítsu, sei como terminar a luta de diferentes maneiras. A gente pode falar que o Demetrious caminha na água, que ele é o melhor do mundo, mas eu acredito que eu posso fazer história de novo - conta

 
image.jpeg.cede17db0bbf750d2562c92d104f6a84.jpeg
Henry Cejudo (Foto: Evelyn Rodrigues)

Henry Cejudo (Foto: Evelyn Rodrigues)

Com coração "um terço americano, um terço brasileiro e um terço mexicano", Cejudo explica que tem sim vontade de lutar no Brasil, mas nunca contra um brasileiro. Por ter um carinho e uma identificação especial com o país, o lutador conta que pretende criar uma relação de inspiração com a torcida.

- O público no Brasil é meio agressivo. Gritam "Uh, vai morrer". Não quero isso. O Brasil é muito especial para mim. Quero que os brasileiros me amem. Quero usar minha história para inspirar mais gente. Por isso meu apelido é "O Mensageiro". Tenho o propósito de ajudar mais gente. Há muitas crianças no Brasil que cresceram como eu. Quero mostrar para as crianças que estão na favela que elas também podem fazer isso, também podem ser campeãs do mundo. Aqui está a receita. Penso em como vou fazer a diferença com isso - explica.

A respeito de seu recente incidente em um hotel na Califórnia, no qual quase foi morto por um incêndio, Cejudo se lembra com tristeza da perda de sua medalha olímpica, mas agradece pela vida.

- Lembro que nesse dia dormi com minha toalha, mas quando fui acender a luz, estava pelado. Estava pelado e o fogo veio... O pior incêndio da Califórnia. Eu tinha levado a minha medalha de ouro para o evento. Lembro que quando a fumaça me pegou, eu não conseguia respirar. Abri a janela e pulei. E quando eu pulei, eu pisei no fogo, meu pé direito estava em chamas. Pisei forte, e comecei a caminhar sem camiseta, era umas 4h30 da manhã. Deixei pra trás minha medalha olímpica, meu anel. Perdi tudo, mas salvei minha vida - agradece

Quando o assunto são incidentes perigosos, Cejudo poderia escrever um livro. O lutador se lembra ainda de um outro momento, em sua primeira visita ao Brasil, em 2007, quando fazia um passeio pela Praia de Copacabana e se afogou no mar, mas foi salvo por dois brasileiros.

- Eu quase morri. Fiquei nas ondas de Copacabana. Os brasileiros me deram vida de novo. Eu estava na onda e me atrapalhei, não consegui sair do mar. Comecei a rezar, pedi desculpas a Deus, começou a passar um filme da minha vida na minha cabeça. Quando você sabe que vai morrer, você não sente tristeza por você, sente tristeza pela sua família. E assim eu me senti. Mas dois brasileiros entraram e me tiraram do mar. Eu queria celebrar, desfrutar um pouquinho, mas o mar do Brasil não dá para brincar - finaliza

https://sportv.globo.com/site/combate/noticia/desafiante-cejudo-avalia-rivalidade-contra-johnson-esquece-cinturao-e-pessoal.ght

 

Compartilhar este post


Link para o post
Compartilhar em outros sites

O UFC devia investir muito nisso, mostrar muito mais a história de seus lutadores. Mostrar as dificuldades, criar um identificação com o público. Muito melhor que focar nessas pataquadas de TT.

Compartilhar este post


Link para o post
Compartilhar em outros sites

Um grande lutador e pessoa. Tem meu respeito. Enfrentou o DJ com apenas 10 meses de UFC. 

Evoluiu monstruosamente desde a primeira luta, tornando-se um ótimo striker. Hoje ele tem condições de fazer frente, sim, ao DJ, inclusive acredito, sim, que ele possa vencer. Não sei..to sentindo que a hora do cara tá chegando. Pra mim é o melhor lutador da categoria (exceto o DJ) no UFC.

 

Compartilhar este post


Link para o post
Compartilhar em outros sites
40 minutos atrás, M.A.D disse:

O UFC devia investir muito nisso, mostrar muito mais a história de seus lutadores. Mostrar as dificuldades, criar um identificação com o público. Muito melhor que focar nessas pataquadas de TT.

Concordo 100%, MAD.

A desmoralização do UFC está grande. Histórias de batalha, sofrimento e vitória também vendem e criam identificação com o Público.

Compartilhar este post


Link para o post
Compartilhar em outros sites
2 minutos atrás, Henry Chinasky disse:

Confesso que tentei me lembrar de outra derrota do JB que não fossem as contra o DJ e não consegui. De fato, o Cejudo perdeu pro Benavidez por "split decision".

Ele deve contestar a derrota para o Benavidez, talvez seja por isso. Já contra o DJ foi uma derrota maiúscula. Não durou 2 minutos.

Compartilhar este post


Link para o post
Compartilhar em outros sites
14 minutos atrás, Henry Chinasky disse:

Confesso que tentei me lembrar de outra derrota do JB que não fossem as contra o DJ e não consegui. De fato, o Cejudo perdeu pro Benavidez por "split decision".

'Perdeu'. Cejudo dominou claramente dois rounds, mas perdeu 1 ponto por um chute ilegal 

Compartilhar este post


Link para o post
Compartilhar em outros sites

Admiro esse menino, mas não deverá fazer frente novamente, embora a luta se estenda - talvez até a decisão dos jurados.

DJ é outro tipo de lutador, de um outro nível de competição. Eu até cheguei a pensar que alguém poderia fazer frente, mas atirar um cara pra cima e pegar o braço antes de chegar ao chão mostra um nível difícil de ser alcançado e improvável de ser batido.

Compartilhar este post


Link para o post
Compartilhar em outros sites

Crie uma conta ou entre para comentar

Você precisar ser um membro para fazer um comentário

Criar uma conta

Crie uma nova conta em nossa comunidade. É fácil!

Crie uma nova conta

Entrar

Já tem uma conta? Faça o login.

Entrar Agora