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Tudo Menos Luta: Luke Rockhold diz que decepção amorosa ampliou seu foco no MMA

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Tudo Menos Luta: Luke Rockhold diz que decepção amorosa ampliou seu foco no MMA

Ex-campeão dos médios fala sobre trabalho como modelo, empregos fora da luta, esportes favoritos, inspiração em Royce e Rickson Gracie e sobre "primeira vez"

Adriano Albuquerque

Luke Rockhold posa para foto no Rio de Janeiro: lutador agora também segue carreira como modelo (Foto: Adriano Albuquerque)

A impressão que Luke Rockhold passa a muitos fãs de MMA é de ser um lutador destemido, e muitas vezes até arrogante, pela forma como fala sobre seus adversários e sobre suas próprias qualidades dentro do octógono. Contudo, uma vez que o assunto muda para fora das linhas do esporte, o californiano de 33 anos de idade se revela um homem dócil e até tímido, capaz de enrubescer ao falar sobre amor e sexo. Foi seu carisma - e claro, seu visual - que conquistou Ralph Lauren, designer dono da marca de roupas que leva seu nome, a contratá-lo como garoto propaganda de uma de suas principais fragrâncias.

Foi em nome da marca que Rockhold veio ao Rio de Janeiro há duas semanas, durante o UFC Rio 9, para promover o perfume. O lutador participou de ações de marketing e sessões de fotos, surfou na praia da Barra da Tijuca, e recebeu o Combate.com no hotel em que se hospedou, na Zona Oeste da cidade, para um bate-papo sobre (quase) Tudo Menos Luta. O americano abriu o coração sobre as dificuldades que encontrou na carreira, sobre suas decepções amorosas, sobre suas paixões fora do octógono e sobre suas inspirações para chegar ao topo do MMA.

Confira abaixo:

COMBATE.COM: O que te trouxe ao Brasil?

LUKE ROCKHOLD: Eu fui recrutado pelas fragrâncias da Ralph Lauren, Polo Blue, e L'Oréal, e tem sido uma parceria incrível. É um contraste legal com as lutas. Me afastar do mundo das lutas e ser o rosto de uma fragrância não é ruim, vou te dizer! Posso viajar o mundo, fazer coisas incríveis, e trabalhar com a Ralph Lauren, não poderia pedir por uma marca melhor. Sempre mirei o topo em tudo o que fiz na vida, sempre busquei competição no nível dos campeões, e no mundo da moda e das fragrâncias, Ralph Lauren é o rei.

Você já imaginou isso algum dia durante sua carreira atlética? Que "cara, um dia vou ser o rosto de uma das maiores marcas de fragrâncias e roupas"?

Não posso dizer que sim. Eu sabia que seria campeão mundial, eu sabia que essas coisas viriam, e eu me dedicaria a isso. Acho que trabalho duro compensa. Algumas pessoas me disseram que eu poderia entrar no mundo dos modelos desde cedo, mas eu os rejeitava, porque sabia que tinha meus objetivos definidos e não queria que nada me distraísse disso. Por isso, bloqueei tudo isso e foquei na luta. Mas, uma vez que cheguei ao topo, não faz mal abrir o leque e fazer outras coisas, construir em cima do que tenho. Foi uma oportunidade fácil para mim.

Você conheceu o Ralph, certo? Como foi isso?

Conheci! Foi um momento e tanto. O cara mudou a forma como o mundo olha para a moda. Foi uma experiência bem legal, cara. Eles me levaram a Nova York, entrei no andar particular do Ralph, e é tudo tão diferente. O cara é bem frio, e é um ser humano legal. Foi pouco tempo, mas dá pra ver que fez muito neste mundo.

Ouvi que ele se identificou muito contigo e disse que gostava muito do seu estilo e da sua mentalidade. Você se identificou com ele também?

Sim. Nós negociamos por algum tempo, eu estava competindo com várias pessoas, mas o que importa é o feeling do Ralph. Ele tem sido o diretor criativo da fragrância desde sempre e precisa dar o OK dele. Nós nos demos bem desde o início, ele apreciou meu estilo e sabia desde o começo que eu era o cara certo. Ralph gosta de boxe, já treinou no passado, e acho que ele se identificou com isso, gostou do meu estilo e do que eu trazia para o jogo.

Uma das fotos da campanha do perfume Polo Blue com Luke Rockhold como modelo (Foto: Divulgação)

No MMA, você já encontrou algum lutador que cheirava bem? Já reparou nisso? (Risos)

Você tem que distraí-los, chegar lá cheirando bem! (Risos) Não posso dizer que prestei atenção nisso no cage, mas vou mudar o jogo um pouco. Tinha um cara que eu ia enfrentar que não tomava banho - graças a Deus não precisei enfrentá-lo, seu nome é Matt Lindland. Seria uma das minhas primeiras lutas. Ele não toma banho duas semanas antes da luta para te distrair por ele ser tão fedorento. Por sorte, me lesionei e evitei esta luta (risos), mas vou fazer o oposto, vou chegar cheirando bem e vou distraí-los!

Você precisa levar umas caixas dessas pra academia, porque as academias sempre fedem, e sei que seu amigo Daniel Cormier trabalha duro e deve feder depois dos treinos...

Depois de treinar com Cormier, com certeza vou tomar banho e passar o Polo Blue, pra refrescar minha mente ao sair da academia! Academias são um mundo fedorento, então é bom sair de lá cheirando bem. Vou levar um kit para não sair cheirando como DC.

Qual é o seu momento favorito na sua carreira?

Ganhar o título peso-médio do UFC foi obviamente enorme. Derrubar (Chris) Weidman, ser o primeiro a vencê-lo e terminar seu reino está no topo da minha carreira. (Mas) Bater (Ronaldo) Jacaré, ao mesmo tempo, sendo um jovem e naquela altura da minha carreira, conquistar aquilo, acho que não recebemos o respeito que merecíamos na época. Nós nos provamos ao entrar no UFC e batemos qualquer um. Tive um tropeço com o Vitor (Belfort) ao chegar, mas depois atropelei a divisão até chegar ao topo. Eu gostaria de ter competido com Anderson (Silva) naquela época. Eu era jovem, não era tão calculista quanto sou agora, mas tinha a habilidade de derrotar qualquer um na época. Entre meus dois títulos, acho que ninguém conseguiu conquistar coisas assim, são poucas pessoas que conseguem títulos em duas organizações diferentes no nível que tínhamos, nível mundial de verdade. Strikeforce não era uma "segunda divisão", nós provamos isso. Todo mundo que passou pelo Strikeforce conquistou títulos mundiais, em quase todas as divisões de peso. Se as pessoas virem o que fiz, verão que fiz muita coisa, e acho que ainda tenho muito a fazer. Estou mais no meu auge do que nunca.

Não enfrentar Anderson Silva é um arrependimento na sua carreira?

Não. Eu gostaria de ter lutado na época, o UFC havia comprado o Strikeforce e estava fazendo lutas de "fusão" na época, mas não recebi. Acontece.

Houve alguma oferta para isso em algum momento?

Sei que Anderson estava interessado, eles tentaram fazer a luta, eu pedi por isso também, mas eles simplesmente não estavam prontos para fazer a luta acontecer. Eu não me arrependo de nada que fiz, sigo adiante, tudo é uma oportunidade de aprendizado. Tudo acontece por um motivo.

Qual é seu esporte favorito fora o MMA e lutas?

Eu diria que é o surfe. Cresci no mundo do surfe e gosto muito. Skate e surfe. Skate era uma parte importante da minha vida ao crescer, me ensinou a ser forte. Eu adoro a parte técnica - é veloz, é difícil, é energético e dá onda. Gosto de coisas que te trazem adrenalina e que não são causadas por um motor, que são impulsionadas por si próprias, e que você possa fazer truques, ir ao alto, ir rápido e praticamente voar. Sempre foi algo íntimo e querido para mim. Gosto muito de golfe hoje em dia, estar ao ar livre e apreciar o que temos na natureza.

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Seu irmão é surfista profissional, certo? É verdade que você quase se tornou surfista profissional?

Não. Houve um tempo que eu fiquei muito bom no surfe, mas nunca houve uma ambição de me tornar profissional. Eu lutava wrestling na escola, ia e voltava para casa no verão para surfar, mas nunca me dediquei em tempo integral ao surfe. Eu provavelmente era melhor no skate que no surfe, e provavelmente tive uma ambição de me profissionalizar no skate na verdade. Mas surfe e skate era o meu estilo de vida.

Fora seu irmão, quem é seu surfista favorito?

Há muitos caras que você admira desde jovem, mas parece que sou amigo de todos agora! É louco isso. Eu amava o Ochi, Mark Occhilupo, um surfista potente de backside, eu tinha estilo goofy, e eu adorava seu estilo. Os australianos sempre foram os melhores. Joel Parkinson, com quem tive a oportunidade de trabalhar e trazer para o set do Polo Blue, ele fez um comercial comigo. Ele sempre teve um flow e um estilo incrível de se assistir. E o Mick Fanning também, ele tem uma energia ao surfar, é super divertido de assistir. E os caras atuais estão levando o esporte a outro nível. Ver o Gabriel Medina fazer as coisas que faz, e o John John Florence, estão levando o surfe a outro mundo que os outros ainda não tocaram. Queria poder ir ao evento (Rio Pro), mas é a algumas horas de distância.

E no skate, quem é o seu favorito?

Skate é difícil, há tantos caras e tantos estilos diferentes. Estou sem palavras agora... Sempre gostei das rampas de transição, então sempre gostei de caras como Tony Hawk, e mesmo dos caras de onde sou, Santa Cruz, como Jason Jessee, Rob Roskopp, e meu bom amigo Keith Meek, esses caras sempre tiveram esse estilo maneiro tipo Dogtown, sujo e mau, eles destruíam. São os caras que cresci ao redor, e uma grande comunidade de skaters profissionais saiu de Santa Cruz.

Skaters e surfistas geralmente usam camisetas, bermudões, chinelos. Eles alguma vez te zoam por usar esse estilo de camisa social, shorts sociais, sapatos arrumados? (Risos)

Não me importo. Tenho meu estilo. Eu encaro os piores, mas ao mesmo tempo, gostamos de estar limpos e bem vestidos. Este sempre foi meu estilo, eu sempre fui capaz de usar o mínimo necessário no mundo atlético. Mas Ralph Lauren é mínimo, é elegante, é um estilo perfeito, não é excessivo. Este sempre foi meu estilo, nunca fui do tipo Versace, espalhafatoso. Este sou eu. Não tenho medo de ser assim, e, se alguém quiser falar alguma coisa, ei... (risos) Eu posso me defender. Sempre pude. As maiorias das pessoas apreciam esse estilo hoje em dia. Acho que esse mundo já mudou e não é mais tão "grunge". O surfe sempre teve um estilo mais limpo, e eu sempre fui um skater de estilo sufista, não estilo grunge.

Surfista, skater, bonito... Você nunca teve problemas com as mulheres, né. Sempre foi popular.

(Risos) Eu me saí bem na minha época... Me saí bem.

Com que idade você teve sua primeira namorada?

Provavelmente na 7ª série, eu diria. Eu tinha tipo 13 ou 14 anos. Tive namoradas aos 12, 13, 14, mas era tipo você tinha uma por dois meses... Eu tive uma namorada aos 8 anos, mas durou só uma semana! (Risos) Segurava a mão, dei o primeiro beijo... Mas tive minha primeira namorada de verdade na 7ª série, durou alguns meses. Algumas namoradas no ensino médio, tive uma namorada séria depois do ensino médio. Mais duas... Depois me apaixonei pelo esporte e meio que me casei com o esporte. Viajo muito e tem sido difícil se comprometer com uma namorada, porque você está tão comprometido com o esporte. Mas há certamente algumas moças na minha vida das quais estou me aproximando e estou cada vez mais próximo de me "acalmar".

Luke Rockhold teve um breve romance com a cantora Demi Lovato, com quem foi ao UFC 205, em 2016 (Foto: Getty Images)

Quando você perdeu sua virgindade?

(Risos) Foi em algum momento durante o ensino médio.

Você lembra como foi? Foi constrangedor?

(Risos) Sim...

Você prefere não falar a respeito?

(Risos) Ensino médio, né...

Você já teve o coração partido?

Sim. Eu me vi num relacionamento que não era dos mais saudáveis, e eu roubei uma garota de um cara e acabei me dando mal. Isso foi um obstáculo que me levou a treinar mais e me isolar cada vez mais, e me dedicar mais ao meu esporte. Nenhum de nós é invencível, né?

Amor foi o que realmente te empurrou à luta? "OK, quebrei a cara, chega dessa m***, vou me dedicar às lutas"? Só estou brincando, claro.

(Risos) Sim, eu diria que foi um bom momento de se ter, entender o que é ter o coração partido. Qualquer um que não tenha isso, acho que não cresceu. É um processo de aprendizado.

Você tem um tipo favorito?

Eu aprecio mulheres ambiciosas, criativas, com mente própria. Quanto a estilo, gosto de pele mais morena, gosto de olhos coloridos, gosto de corpo atlético em algum nível.

Qual foi seu primeiro emprego? Teve algum emprego fora da luta?

Tive muitos empregos fora da luta! A vida não era fácil, eu não simplesmente caí na luta. Eu trabalhava numa lanchonete num clube de tênis, com uns 13 anos. Depois disso, trabalhei no balcão lá. Depois do ensino médio, trabalhei com construção, com instalação de painéis solares. Depois virei pintor. Eram empregos bem deprimentes, vou te dizer (risos). Trabalhar de 9h às 17h, o dia inteiro batendo pregos, levantando e instalando painéis solares, e pintar talvez tenha sido o mais repetitivo e pior de todos.

Tudo para se manter enquanto treinava, né?

Eu fiz isso por alguns anos enquanto estava na faculdade, tentando identificar onde queria ir. Quando comecei a descobrir o quão bom eu era no jiu-jítsu, foi quando vim ao Brasil para o Mundial, e tirei muita inspiração ao vir aqui, aprendi muito. Não venci na primeira vez, em 2006, mas fiquei por dois meses e aprendi demais. Voltei para casa e acabei vencendo o Mundial na faixa azul no ano seguinte. Isso me impulsionou na luta, me deu a confiança para buscar o próximo nível, pois eu sabia o quanto jiu-jítsu era importante na luta e o quanto eu era bom no jiu-jítsu. Competir contra os melhores faixas-pretas do mundo quando estava na faixa-azul, eu sabia que podia competir com eles porque treinava com eles na academia, e isso me deu a confiança para entrar na luta. Tudo isso veio do jiu-jítsu e de vir ao Brasil. Isso me motivou.

O que você fez com seu primeiro salário?

Paguei minhas dívidas! (Risos) Parecia que eu estava sempre endividado! Lutar não é bonito nos primeiros estágios. Eu não cresci com dinheiro. Meu pai e minha mãe tentavam nos dar de tudo, mas meu pai trabalhava aos fins de semana no centro de detenção juvenil para pagar os meus camps de wrestling, ele era conselheiro. Aquilo era um luxo na época, e ele me ajudou muito desta forma. Depois morei na academia, pedi muito dinheiro emprestado de amigos e agentes, então parecia que toda bolsa que eu recebia, não conseguia fazer muita coisa com elas, não pagavam muito na época.

Mas meu primeiro salário grande, que realmente me tirou do buraco, foi contra o Jacaré. Eu estava com US$ 25 mil de dívida, estava morando na academia, que foi a pior experiência da minha vida, mas é um sacrifício e te faz apreciar (a vida) de verdade. A academia era numa parte ruim da cidade, as pessoas tentavam invadir, eu tinha que descer com um bastão de beisebol, tinha baratas na academia e eu tinha de esmagá-las ao ir pro banheiro no meio da noite. Depois morei na garagem do meu manager. Aí recebi a luta com o Jacaré, uma luta pelo cinturão após ficar parado por dois anos. Foram 19 meses parado, lesionei meu ombro. Eu me dediquei ao esporte, sabia que chegaria lá, morei com meu manager, aí a luta caiu no meu colo, acabei vencendo o Jacaré, ganhei US$ 100 mil e achei que era o homem mais rico do mundo! (Risos) Entrei num avião e fui direto para a Costa Rica numa viagem de surfe.

Esta foi a maior dificuldade que você teve de conquistar?

Eu passei por muitas coisas na minha vida, mas 19 meses parado realmente me assustou, que eu não conseguiria viver meu sonho neste esporte. Eu estava com dificuldades, fazendo o que fosse necessário para sobreviver. Foi um grande momento, tive de ver a luz no fim do túnel. Neste jogo e na vida, há um certo nível de risco, e você precisa acreditar por inteiro que vai conseguir chegar lá. São riscos calculados, isso que importa na vida.

O quanto eu passei para chegar naquela luta, dava para ver que eu não perderia de jeito nenhum. Eu sabia o quanto aquilo significava para mim e o quanto eu precisava daquilo. Foi a luta mais cheia de emoções. Eu nunca choro após as lutas, mas naquela, tudo saiu. Foi a maior emoção. E o Jacaré era "o cara" na época. Ele não recebia o respeito que merecia. E ao vencê-lo, nós dois recebemos menos respeito ainda, porque eu surgi do nada. Ao mesmo tempo, acho que nós dois facilmente poderíamos ser os dois melhores do mundo. A magnitude da luta contra o Weidman foi grande e tudo, mas o senso de conquista, senti mais na luta contra o Jacaré.

Luke Rockhold e Ronaldo Jacaré viraram amigos após se enfrentarem em 2011 (Foto: Adriano Albuquerque)

Quanto tempo você tem para si mesmo?

Eu tenho o tempo que eu crio para mim mesmo. Não há tempo de férias neste esporte, então acho crucial sair, se afastar e ganhar uma perspectiva. Eu sempre acreditei nisso. Minhas viagens para surfar e meu tempo fora do cage sempre foi bem gasto, sempre tirei muita perspectiva disso, e ficava com fome de voltar. Enquanto algumas pessoas voltam para a academia logo depois da luta, não voltam com uma mentalidade diferente. Você quer ter aquela fome, quer absorver mais informação. Se afastar do esporte alimenta sua fome para voltar. Neste esporte, é muito fácil se saturar, mais do que outros, então é crucial sair um pouco. Eu cresci em Santa Cruz, ao ar livre, então não dá pra me prender muito na academia. Você precisa sair e ser livre, aproveitar as maravilhas do mundo.

Qual seu lugar favorito para ir de férias? E qual o lugar mais bonito que você já visitou?

Eu sempre fui um surfista, então sempre baseei minhas viagens ao redor do surfe. Eu aprecio culturas cada vez mais conforme fico mais velho, ir a lugares como Londres ou Paris e ver a arquitetura, esses prédios que estão lá há mais tempo do que nosso país existe! Viajo cada vez mais vendo isso. Mas gosto muito das aventuras pelas florestas da Costa Rica e encontrar locais remotos e privados para surfar, juntar um bom grupo de amigos para viajar o mundo e se divertir.

Então, a Costa Rica?

A Costa Rica sempre foi muito divertida para mim. É um dos meus lugares favoritos para viajar, sempre volto lá. Mas vario cada vez mais. México e Costa Rica são muito bonitos, vir ao Brasil sempre é divertido, sair da cidade - por mais que eu goste da cidade, é sempre legal sair das cidades. E isso é o mais legal da Costa Rica, você raramente está numa grande cidade, pode aproveitar mais a natureza e a cultura.

Alguma vez você ficou muito bêbado? Se lembra da primeira vez que ficou muito bêbado?

(Risos) Você me pegou de surpresa agora! Essa pergunta veio do nada! (Risos) Sim. Não, do que estou falando? Não lembro, você não lembra de muita coisa quando toma um porre pela primeira vez! (Risos) Houve algumas vezes. Me diverti. Eu me embebedei bastante depois da luta com o Jacaré, vou te contar. Foi em Cincinnati, Ohio, não tinha muita coisa pra fazer lá. A comemoração foi num restaurante de waffles, bebemos bastante lá. Foi divertido. Acabei voltando pro meu quarto sozinho com uma garrafa de uísque e bebi ela toda só. Na maioria das vezes você quer sair com seus amigos, mas aquele foi um momento tão grande, que eu só queria aproveitar sozinho um pouco. Levei uma garrafa, me tranquei no meu quarto e fiquei agarrado com o cinturão na cama. Bebi até dormir.

Você dormiu com o cinturão?

Naquela noite, eu dormi com o cinturão. Com certeza. Dormi com aquele cinturão naquela noite, e dormi com o cinturão depois do UFC 194. Só nos momentos de coroação. Não toda hora.

Quem é o maior trash-talker, você ou Daniel Cormier?

Acho que Cormier tenta ser mais calculista, ele é mais falador. Não sei se é natural pra ele, mas ele calcula bem sua falação. Ele faz seu dever de casa, se prepara, ele é um analista. Ele anota tudo.

Você acha que ele é o melhor trash-talker atualmente?

Não, de longe não é. Temos que reconhecer que é o Conor. Conor é o cara que fala mais.

Melhor que o Chael Sonnen?

Sim. Conor é natural, simplesmente sai fácil da boca dele, e seu sotaque irlandês faz soar mais legal. Chael, se você for fã de wrestling profissional, você gosta, Chael é Chael. Mas não faz muito meu estilo.

Luke Rockhold posa com Royce Gracie, uma de suas inspirações no MMA (Foto: Reprodução/Instagram)

Você pensa em tentar o wrestling profissional?

Não é algo que penso em tentar.

Isso é algo que você gosta?

Não sei. Quando eu era garoto, todos nós tínhamos alguma apreciação por isso. Era um mundo diferente naquela época. No primeiro Wrestlemania, o mundo inteiro estava sintonizado. Você tinha Andy Warhol e várias celebridades de mundos diferentes que você não imaginaria que estariam lá. Elas estavam vidradas naquilo tudo. Hulk Hogan era incrível para mim, Macho Man Randy Savage, e o Ultimate Warrior, que eu gostava bastante. Mas eu meio que fui perdendo o interesse. Eu era fã do Triple-X e do Generation X, e depois desta era, eu comecei a perceber o quão falso aquilo era. Aí comecei a ver o Royce Gracie e esses caras no The Ultimate Fighter, isso capturou minha atenção e pensei, "Isso é incrível".

Lembro que era divertido ver o wrestling naquela época, mas quando vi o Royce e o quão real aquilo era, foi quando soube que queria ser lutador. Eu tentava imitar eles mais do que o wrestling. Era divertido ver wrestling, mas eu realmente queria ser o Royce ou o Rickson, pois eu sabia que era muito mais real. Eu sempre gravitei em direção aos Rockys e Jean Claude Van Dammes, aos filmes de artes marciais. Sempre foram minhas inspirações, os caras lutando pelo bem. E também o Jean Claude conquistando as meninas, batendo em todo mundo e parecendo bonito quando o fazia (risos): "Quero ser aquele cara!"

Qual é seu lutador favorito de todos os tempos?

Há tantos, cara, e eu aprecio tantos estilos diferentes. Na época, o Rickson, como ele sempre enfrentava caras maiores e era o cara menor, foi um dos primeiros caras que conheci e comecei a torcer. Você via o Royce e os outros caras, mas Rickson, tinha alguma coisa diferente em ir lutar no Japão, aquela arena me capturou mais, não sei. Rickson contra Rei Zulu foi muito legal de se ver. Fedor era legal de se ver contra aqueles gigantes, ver a habilidade que ele tinha no sambo, no soco, no espectro total da luta. Chuck Liddell, Randy Couture sempre foi incrível. Ele era tão durão, levava uma surra mas reagia e dominava as lutas. Esses caras que sempre se destacaram na minha mente.

Depois passei a apreciar os caras ao meu redor, como Cain Velásquez e Daniel Cormier. O Cain era um animal, cara. Ver o Cain, ele não recebe o respeito merecido. Ele pode não ter chegado a algumas conquistas que poderia ter tido, mas a nível de habilidade, Cain é o melhor peso-pesado que já existiu. Ninguém fazia lutas como Cain fazia. Junior (Cigano) dos Santos era uma fera na época, e Cain... Não há ninguém como ele no peso-pesado, ele tinha um arsenal completo. Seu striking estava lá, e seu wrestling e jiu-jítsu, ele aprendeu bem. Ele era incrível. E DC fez grandes coisas também. Eu tive sorte de estar ao redor de alguns dos melhores.

Você acha que pode passar à interpretação, ou virar modelo em tempo integral no futuro?

Nunca sabemos o que o futuro guarda. Ainda gosto do que faço agora e ainda tenho muitas lutas pela frente. Ainda tenho também muito de trabalho de modelo pela frente (risos). Adoro onde estou. Sempre tento viver no presente e nunca descarto o futuro. Estou aberto a novas empreitadas. Não tenho medo de tentar algo novo.

 

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Entrevista bacana, gostei!

Rockhold sem a arrogância predominante, dá pra levar uma conversa.

Parabéns a quem conduziu a entrevista.

Não sabia que aquela luta contra o Jacaré tinha sido tão importante para a carreira dele.

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Entrevista excelente

Não conhecia este lado do Rockhold

Pelo jeito o Rockhold da luta é uma mistura de personagem com o mindset necessário para vencer. Se vc não acha que pode destruir o adversário você já entra com metade da derrota.

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Bacana a entrevista.Cara muito mente aberta. E mostrando que a luta contra o Jacaré foi a mais importante para ele.

PS: ele já rangou a Kyra? Porque a Lovato ele rangou bem.

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Lutador mais chorão que já vi...nunca vi chorar tanto por causa do Belfort. Sabia que Belfort tava usando o TRT e mesmo assim aceitou a luta. 

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So um post-descontracao, pessoal. A Kyra quase toda vez que participava das transmissões das lutas do LR sempre dava um jeito de dizer que o cara era "gato" ?. É só o que sei. Isso, e que uma boa entrevista é muito pouco pra achar que ele é, de fato, um cara bacana.

Editado por Henry Chinasky

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