Anderson Kozama

Ex-UFC apaga no meio da luta e segue apanhando: "Só queria sobreviver"

19 posts neste tópico

Em entrevista ao UOL Esporte, recuperado do maior susto pelo qual já passou na carreira, o lutador de 28 anos contou o que viveu naqueles segundos em que sua saúde neural esteve em risco. "No ground and pound [sequência de golpes no chão] eu estava inconsciente, não lembro de muita coisa”, disse ele. “Vendo as imagens depois, vi que eu levanto a mão, que peço pra não parar a luta, mas no meu inconsciente eu não lembro disso. Eu estava no automático, aquele momento de quem quer só sobreviver, no instinto de sobrevivência"

O catarinense Márcio Lyoto, que já teve passagem rápida pelo UFC, viveu uma situação muito perigosa no meio de sua última luta, pelo Aspera FC, um dos mais importantes torneios de MMA do país. No segundo round, ele sofreu uma sequência de golpes na cabeça e apagou. As regras do esporte determinam que em situações assim o árbitro deveria parar a luta, dando a vitória ao pernambucano Fábio Aguiar, mas isso não aconteceu.

Mesmo totalmente entregue e caído, Lyoto (que ganhou o apelido por causa do ex-campeão do UFC Lyoto Machida) continuou apanhando, uma situação que provocou revolta entre lutadores, técnicos e professores de MMA que assistiram ao evento. Ainda inconsciente, o lutador foi levado ao corner quando o round acabou. Avaliado por uma médica, foi mandado de volta ao combate.

A luta só acabou três minutos depois, quando a mesma equipe médica interveio a pedido do árbitro e interrompeu o combate em favor de Fábio Aguiar.

 

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Em entrevista ao UOL Esporte, recuperado do maior susto pelo qual já passou na carreira, o lutador de 28 anos contou o que viveu naqueles segundos em que sua saúde neural esteve em risco. "No ground and pound [sequência de golpes no chão] eu estava inconsciente, não lembro de muita coisa”, disse ele. “Vendo as imagens depois, vi que eu levanto a mão, que peço pra não parar a luta, mas no meu inconsciente eu não lembro disso. Eu estava no automático, aquele automático de quem quer só sobreviver, no instinto de sobrevivência"  Apesar de não ter jogado a responsabilidade por sua derrota na arbitragem, o lutador afirmou que o juiz deveria ter interrompido o confronto para manter sua integridade física. "Se eu fosse árbitro, teria parado.  Ele viu que eu estava inconsciente e errou" 

"Só voltei à consciência porque meu corner me pegou e me botou na cadeira, o que também é ilegal, eu deveria ter ido sozinho. Ele falou: 'Tu quer lutar e quer ganhar'. Aí acordei. Botaram oxigênio no meu rosto.  Eu sei que é ilegal e tirei"

No terceiro round, quando a luta foi finalmente interrompida pelo árbitro e pela equipe de saúde, o catarinense protestou. Ele preferia perder por uma decisão dos juízes após os três rounds ou por um nocaute ou finalização.

 

31mai2014---warlley-alves-apaga-marcio-l

"Eu tomei um knock down [queda], estava meio bambo, mas consciente, não tinha nenhum momento de perigo", disse ele. "O juiz mandou a médica vir e ela decidiu parar a luta. Falei que ela não ia parar, que ela ia acabar com minha  carreira. Depois pedi desculpa, sei que árbitro e médicos são soberanos ali" 

Apesar da sequência de golpes chocante, Márcio Lyoto não foi diretamente ao hospital após a luta. No dia seguinte, ao se consultar com seu médico Sérgio Campos de Mello, ouviu que como não estava sentindo dor de cabeça intensa,  provavelmente não teria sido vítima de nada mais grave.

O médico, que também treina artes marciais e é funcionário há 16 anos do time de futebol Avaí, afirmou que apesar do lutador não ter precisado de atendimento emergencial, ele não está imune a graves problemas no futuro.

“Ele teve uma concussão, um trauma no crânio. Os riscos futuros são Alzheimer precoce, deficiências neurológicas, déficits cognitivos, tremores”, disse o médico, que admitiu que a sequência de golpes chegou a ameaçar a vida do  lutador. “A vida do lutador está sempre em risco dentro do octógono. Infelizmente é assim.”

Já Márcio Lyoto acredita que não tenha corrido um risco tão alto por ser um atleta preparado para impactos desse tipo: “Somos muito preparados. Faço arte marcial desde os cinco anos, tenho sete anos de MMA. A gente que luta está  acostumado a sofrer castigo desse tipo, a tomar um golpe mais contundente. Já teve luta que eu saí muito mais machucado.” 

Organização do evento pediu o afastamento do árbitro Procurado pela reportagem, o presidente do Aspera FC disse que pediu à comissão de arbitragem do Paraná o afastamento do juiz Gastão Jr. “É o segundo erro grave em que ele coloca em risco a saúde do atleta. A primeira foi em um Aspera em Paranaguá”, disse Marcelo Brigadeiro. “Pra evitar que aconteça uma terceira vez, pedimos que ele não atue mais no nosso evento. Agora depende da comissão do Paraná"

 

 

Lyoto admite ter dado golpes ilegais Antes de ir ao chão e praticamente ser nocauteado, o catarinense aplicou dois chutes controversos em seu adversário. Desde 1º de janeiro de 2017, as regras do MMA proíbem chutes na cabeça quando a vítima está com os quatro membros em contato com o solo, justamente a posição de Fabio Aguiar no momento em que ele recebeu dois chutes de Lyoto.

O catarinense admitiu que seus chutes foram ilegais, mas que não fez por mal: “O primeiro chute que eu dei foi legal. Ele caiu pra trás, achei que ele tivesse só com os dois pés no chão, e chutei. Ele me olhou como se eu tivesse fazendo uma coisa errado. Eu nunca trapaceei numa luta. O árbitro disse que estava valendo, e eu segui. Não foi de propósito. Imaginei que ele estava com três apoios, mas ele estava de quatro e eu não poderia ter feito aquilo.”

Márcio Lyoto acredita que precisará ficar de molho por alguns meses para se recuperar da derrota. Há três anos ele chegou à final do TUF, reality show da Globo que selecionava lutadores para o UFC. Contratado pela maior organização de MMA do mundo, o catarinense fez três lutas e teve três derrotas.

Após mudar de categoria (agora ele luta no peso médio, até 84 kg) e de empresário, Márcio Lyoto tenta se destacar no cenário nacional para voltar ao UFC. Ele sonha em ser campeão de sua categoria.

"Foi o primeiro nocaute da minha carreira, por isso que eu fiquei mais atordoando. O sonho de todo atleta, assim como o meu, é ser campeão do mundo. Eu fiz um planejamento e vou chegar lá. Eu não faço luta contra atletas para fazer cartel pra mim. São todas lutas de igual pra igual, contra atletas duros. Eu sei que com essa derrota eu regredi uns dois ou três passos. Mas isso não vai me abalar”

 

Adriano Wilkson

Do UOL, em São Paulo

18/08/2017 04h00

 

 

 

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O nível do amadorismo num dos eventos mais importantes do país impressiona.

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Achava ele pequeno pra 77kg, quiçá pra 84kg...

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Confesso que não vi a luta, mas depois do depoimento do lutador, dizendo que foi ajudado a sentar, que recebeu oxigênio e depois voltou a lutar... É brincadeira!
Nessas horas eu dou razão pra alguns árbitros que param a luta um pouco antes do momento correto, e porquê? Por em primeiro lugar a integridade física do atleta.
 

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1 hora atrás, rodrigommoraes disse:

Confesso que não vi a luta, mas depois do depoimento do lutador, dizendo que foi ajudado a sentar, que recebeu oxigênio e depois voltou a lutar... É brincadeira!
Nessas horas eu dou razão pra alguns árbitros que param a luta um pouco antes do momento correto, e porquê? Por em primeiro lugar a integridade física do atleta.
 

Deram oxigenio pro cara e fizeram ele voltar?

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Postado (editado)

Parte da culpa também tem os treinadores, por que não jogaram a toalha???!!! Mesmo que os médicos permitissem, o treinador conhece muito bem o seu atleta, qualquer atleta nessa condição, é visivelmente que não tem condições de continuar, e deixou?!

Lamentável o acontecido.

 

 

Editado por Mr.K'

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Lutar MMA em pequenos eventos é risco efetivo de morte. Todo mundo tem culpa, desde o telespectador que quer ver sangue (muitas vezes nós mesmos, eu falo por mim), o promotor do evento, outros atletas que às vezes não tem o mínimo de sensibilidade, os técnicos que ficam com discurso motivador vendo o atleta quase morrendo e claro o árbitro. Para mim, linguagem corporal clara de desistência. O Lyoto estava correndo da luta, podia parar bem antes.

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Integridade do atleta em primeiro lugar! Amadorismo de certos árbitros pode causar uma morte no 8.

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6 horas atrás, Mr.K' disse:

Parte da culpa também tem os treinadores, por que não jogaram a toalha???!!! Mesmo que os médicos permitissem, o treinador conhece muito bem o seu atleta, qualquer atleta nessa condição, é visivelmente que não tem condições de continuar, e deixou?!

Concordo plenamente. Não que árbitro e médico sejam completamente inocentes, mas também é papel do corner ficar ligeiro, tentar se manter frio, pra TAMBÉM se ligar no estado do atleta que representa.

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Cara inacreditável.... É em alguns combates o próprio agressor sinaliza ao árbitro que o oponente não ter mais condições, mas nessa situação todo mundo foi negligente, espero que o Lyoto se recupere e fique bem e avalie se o risco no MMA vale a pena, porque tenho visto as suas performances aki no Brasil e me parece que solta muitos chutes,. Mas o boxe dele é muito ruim, mesmo sabendo que ele é um carateca, não sabe desferir golpes com efetividade com as punhos,  tem que reavaliar lutando assim não chega nem em eventos de médio porte lá fora, talvez seja melhor pendurar as luvas porque um combate como esse aí com certeza vão deixar lesões.

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6 horas atrás, Peludo_SAS disse:

Quanta incompetência do árbitro

Nao só do árbitro.

Deram oxigenio pro cara de tao fudido que tava e deixaram voltar. Que merda é essa?

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E como estamos no Brasil nada vai acontencer com ninguem.

1 hora atrás, Pride Event disse:

Nao só do árbitro.

Deram oxigenio pro cara de tao fudido que tava e deixaram voltar. Que merda é essa?

 

Brasil.

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